BTG Pactual lança plataforma de pagamentos e mira mercado de R$ 50,5 trilhões entre empresas

O BTG Pactual ampliou sua atuação no mercado de meios de pagamento com o lançamento do BTG Pay, plataforma que reúne maquininhas, cartão corporativo, links de pagamento e ferramentas para gestão de recebíveis. A estratégia tem como principal alvo as transações realizadas entre empresas e integra pagamentos, crédito e gestão financeira em um mesmo ecossistema.

Segundo estimativas do próprio banco, o mercado potencial movimenta cerca de R$ 50,5 trilhões por ano, considerando diferentes modalidades utilizadas nas relações comerciais entre empresas.

Desse total, aproximadamente R$ 4,5 trilhões correspondem ao mercado tradicional de adquirência, R$ 11 trilhões são movimentados por boletos e outros R$ 35 trilhões por transferências via TED e Pix entre empresas.

É principalmente sobre as duas últimas modalidades que o BTG enxerga uma oportunidade de expansão.

Banco quer levar cartão para transações hoje feitas por Pix, TED e boleto

A estratégia do BTG Pay não se limita a disputar espaço com as empresas tradicionais de maquininhas.

O banco pretende converter parte das transações entre empresas atualmente realizadas por boleto, Pix ou TED para pagamentos através de cartão.

O modelo pode acrescentar uma dimensão de financiamento à operação. Em vez de uma transferência imediata entre comprador e fornecedor, o cartão permite estruturar prazos de pagamento e condições financeiras dentro da própria transação comercial.

Para o BTG, essa possibilidade amplia o mercado potencial muito além dos R$ 4,5 trilhões associados à adquirência tradicional.

Aquisição da Justa serviu de base para nova operação

A infraestrutura do BTG Pay foi desenvolvida a partir da aquisição da fintech Justa, realizada em 2025.

A operação permitiu ao banco incorporar tecnologia e experiência no segmento de pagamentos para acelerar a construção da nova plataforma.

Entre as soluções estão maquininhas com duas telas, links de pagamento, conciliação automática de transações e integração com mais de 200 softwares de gestão.

A integração é especialmente relevante para clientes empresariais, uma vez que permite aproximar pagamentos, recebíveis e informações financeiras dos sistemas utilizados na administração cotidiana dos negócios.

Cartão começa com bandeira própria e rede fechada

Uma das principais apostas é o cartão corporativo BTG Pay.

Inicialmente, o produto opera em um arranjo fechado: possui bandeira própria e sua aceitação está restrita às maquininhas da plataforma.

A estrutura permite ao banco controlar diferentes etapas da transação e desenvolver condições comerciais e financeiras específicas para compradores e fornecedores que estejam dentro do ecossistema.

O desafio será aumentar a utilização da rede, já que um sistema fechado depende da adesão simultânea de empresas que realizam pagamentos e daquelas que recebem os recursos.

Varejo, serviços, indústria e agronegócio estão na mira

O BTG pretende utilizar diferentes produtos da plataforma conforme o perfil dos clientes.

No varejo e no setor de serviços, a principal porta de entrada deverá ser a maquininha, colocando a instituição em concorrência mais direta com adquirentes já estabelecidas no mercado brasileiro.

Já o cartão corporativo deverá ter maior foco nas relações entre empresas, especialmente em segmentos como indústria e agronegócio, nos quais fornecedores e compradores frequentemente negociam grandes volumes e prazos de pagamento.

Pagamento passa a fazer parte de uma oferta financeira mais ampla

A entrada do BTG nesse mercado também revela uma transformação na disputa pelos clientes empresariais.

A maquininha deixa de ser necessariamente um produto isolado. Ao integrar pagamentos, recebíveis, crédito e gestão de caixa, a instituição pode ampliar o relacionamento financeiro com uma mesma empresa e utilizar os fluxos transacionais como parte da oferta de outros serviços.

Para o banco, portanto, o mercado potencial de R$ 50,5 trilhões não representa simplesmente o volume que poderá migrar para o BTG Pay. Trata-se de uma estimativa que reúne diferentes fluxos financeiros sobre os quais a instituição pretende disputar participação.

O lançamento coloca o BTG em um segmento já ocupado por grandes bancos, adquirentes e fintechs, mas com uma estratégia particularmente direcionada ao mercado B2B — as transações realizadas entre empresas.

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