Apex Partners pede recuperação judicial com passivo de R$ 985,6 milhões

A gestora capixaba Apex Partners protocolou pedido de recuperação judicial na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, no Espírito Santo, declarando passivo total de R$ 985,6 milhões. A medida representa um novo capítulo da crise financeira e societária enfrentada pelo grupo de investimentos.

No pedido, a Apex busca converter a Tutela Cautelar Antecedente em processo definitivo de recuperação judicial. Caso o processamento seja deferido, a empresa pretende obter a suspensão, pelo período legal de 180 dias, das ações, execuções e prazos prescricionais sujeitos aos efeitos da recuperação.

O mecanismo busca proporcionar um período de proteção para que o grupo reorganize suas obrigações e negocie com os credores enquanto estrutura uma proposta para equacionar o passivo.

Crise ganhou força após identificação de inconsistências financeiras

O pedido ocorre após a Apex Partners identificar o que classificou como “inconsistências financeiras” em seus números, episódio que resultou no afastamento de Fernando Cinelli da presidência da companhia.

Desde então, a gestora e o ex-executivo passaram a travar uma disputa judicial.

No último dia 4, a Apex solicitou à Justiça do Espírito Santo que o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) avaliasse eventual pedido de prisão preventiva de Cinelli.

É importante distinguir o pedido formulado pela empresa de uma decisão judicial: a solicitação para que o Ministério Público avalie a medida não equivale à decretação de prisão preventiva.

Juros elevados e endividamento são apontados pela gestora

Ao explicar as causas de sua deterioração financeira, a Apex relacionou a crise a uma combinação de fatores.

Segundo a empresa, a manutenção de juros elevados prejudicou a captação de recursos nos segmentos de Real Estate e Private Equity, levando o grupo a utilizar capital próprio para cumprir garantias firmes assumidas em operações.

Ainda de acordo com a gestora, a necessidade de manter liquidez levou a um ciclo de endividamento com custos elevados, incluindo a emissão de debêntures para rolagem de caixa.

O efeito dos juros, portanto, teria ocorrido em duas frentes: menor capacidade de captação em determinados negócios e maior custo para financiar as próprias necessidades de caixa.

Aquisições elevaram estrutura de custos

A Apex também relaciona parte das dificuldades à estratégia de expansão adotada pelo grupo.

Entre as operações citadas estão as aquisições realizadas em 2025 envolvendo a Stark Investment Banking e a Contea Capital.

Segundo a companhia, a expansão elevou sua estrutura de custos antes que as receitas adicionais e as sinergias esperadas com os novos negócios atingissem maturidade.

O descasamento entre despesas, geração de receitas e necessidade de financiamento teria contribuído para aumentar a pressão sobre o caixa.

Divulgação da crise teria provocado corrida por liquidez

Outro ponto destacado pela Apex é o impacto provocado pela repercussão pública das inconsistências financeiras identificadas em agosto de 2026.

De acordo com a versão apresentada pela companhia, a divulgação do problema provocou uma perda repentina de liquidez, acompanhada pela antecipação simultânea de cobranças por credores.

Esse movimento teria agravado uma situação financeira que já vinha sendo pressionada pelo custo do endividamento e pelas necessidades de capital do grupo.

Com passivo declarado de R$ 985,6 milhões, a recuperação judicial passa a ser a estratégia adotada pela Apex para tentar reorganizar suas dívidas e preservar suas atividades.

Caso o processamento seja deferido, a companhia deverá apresentar seu Plano de Recuperação Judicial no prazo legal de 60 dias, documento no qual serão detalhadas as condições propostas para a reestruturação das obrigações perante os credores.

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