Fed aumenta juros dos EUA pela primeira vez desde 2023 e taxa chega a 4% ao ano

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, aumentou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo um novo intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano.

Foi a primeira elevação dos juros americanos desde julho de 2023. A decisão foi unânime entre os 12 integrantes votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).

A mudança representa uma nova alteração de direção da política monetária norte-americana, diante da persistência das pressões inflacionárias.

No comunicado divulgado após a reunião, o Fed afirmou que a atividade econômica continua crescendo em ritmo sólido, o consumo permanece resiliente e os investimentos de capital seguem robustos. Ao mesmo tempo, destacou que a inflação permanece elevada.

Inflação está em 3,4%

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos chegou a 3,4% em 12 meses em agosto, permanecendo distante da meta de 2% perseguida pelo banco central.

O cenário inflacionário tem sido influenciado por diferentes fatores. Entre eles estão os efeitos das tarifas sobre produtos importados e as pressões sobre energia decorrentes das tensões geopolíticas.

Ao justificar a decisão, o Fed afirmou que a elevação dos juros deverá contribuir para um retorno mais rápido da inflação à meta.

Kevin Warsh estreia com aumento dos juros

A decisão também chama atenção por ser a primeira reunião de política monetária comandada pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh.

Escolhido por Donald Trump para comandar a instituição, Warsh assumiu o cargo em maio e chegou à presidência do banco central em um ambiente de pressão política por juros mais baixos.

Sua primeira decisão, entretanto, foi na direção oposta.

O aumento de 0,25 ponto foi aprovado por unanimidade, e as novas projeções dos integrantes do Fed indicam a possibilidade de mais uma elevação de juros ainda em 2026.

O que juros maiores nos EUA significam?

Uma taxa básica mais elevada encarece o crédito e tende a reduzir o ritmo do consumo e dos investimentos, ajudando a conter pressões sobre os preços.

Para consumidores americanos, o movimento pode atingir gradualmente financiamentos, cartões de crédito e empréstimos. Em contrapartida, aplicações financeiras conservadoras podem oferecer remunerações maiores.

Os efeitos ultrapassam os Estados Unidos.

Como os títulos americanos são referência para o mercado financeiro mundial, juros mais elevados podem aumentar a atratividade dos ativos dos EUA e influenciar fluxos internacionais de capital, moedas, bolsas e condições financeiras em economias emergentes.

A decisão desta quarta-feira, portanto, pode representar mais do que uma alta isolada. As projeções divulgadas pelo próprio Fed mostram que parte dos dirigentes considera adequado um nível ainda maior dos juros até o final do ano.

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