Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado em todo o país

Os trabalhadores dos Correios iniciaram na sexta-feira (11) uma greve por tempo indeterminado em todo o país. A paralisação foi aprovada por sindicatos de todos os estados durante assembleias realizadas em 10 de setembro, organizadas pela Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect).

O principal impasse entre trabalhadores e empresa está relacionado ao plano de saúde dos funcionários. Segundo a federação, a direção dos Correios pretende promover alterações no benefício.

As negociações entre as partes, incluindo tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), terminaram sem acordo.

Os Correios, por sua vez, afirmam ter apresentado uma proposta que contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo, incluindo reajuste correspondente a 100% do INPC a partir de 1º de agosto e manutenção da assistência à saúde.

Greve ocorre em meio a crise financeira dos Correios

A paralisação acontece em um momento particularmente delicado para a situação financeira da estatal.

Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de prejuízo. Somente no primeiro semestre de 2026, as perdas chegaram a R$ 5,6 bilhões.

Para reforçar o caixa, a empresa espera receber um empréstimo de R$ 7 bilhões até 15 de setembro. A nova operação ocorre depois de a companhia ter recebido outros R$ 12 bilhões no final de 2025.

O cenário financeiro adiciona complexidade às negociações trabalhistas, uma vez que a empresa precisa administrar simultaneamente a recuperação de suas contas e as reivindicações relacionadas ao acordo coletivo.

Correios preparam medidas para reduzir impactos nas entregas

Diante da greve nacional, os Correios planejam adotar medidas para tentar reduzir os efeitos da paralisação sobre seus serviços.

Entre as ações previstas estão remanejamento de equipes, reforço das operações e ajustes na logística.

A extensão dos impactos poderá variar de acordo com a adesão dos trabalhadores em cada estado.

Na Paraíba, por exemplo, Tony Sérgio, do Sintect-PB, afirmou que apenas os serviços administrativos internos continuam funcionando durante a paralisação.

Com a greve por tempo indeterminado, consumidores e empresas que dependem da estatal para envio de correspondências e encomendas deverão acompanhar a evolução das negociações e eventuais alterações nos prazos de entrega.

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