A negociação que poderia resultar em uma das maiores transações recentes do setor de saúde brasileiro chegou ao fim. José Seripieri Filho, o Júnior, decidiu não vender a Amil para as gestoras Advent e Bain Capital, encerrando as tratativas que avaliavam a operadora em aproximadamente R$ 16 bilhões.
A decisão foi tomada no dia 9 de setembro e comunicada aos funcionários da companhia no dia seguinte.
A desistência ocorre depois de semanas de negociações e muda o cenário que vinha sendo desenhado para o futuro da operadora. Júnior optou por permanecer à frente de uma empresa que passou por um processo de recuperação desde que voltou às suas mãos.
Fundador teria mantido distância das negociações
Embora as conversas com Advent e Bain Capital tenham avançado, fontes próximas às tratativas indicam que Seripieri nunca teria assumido um compromisso definitivo com a venda.
O empresário teria participado de apenas uma reunião, enquanto a condução das negociações ficou principalmente sob responsabilidade da CFO da Amil, Grace Tourinho.
A estrutura da operação também apresentava questões ainda a serem resolvidas. Entre elas estavam a obtenção de financiamento necessário à aquisição e as garantias relacionadas a eventuais passivos da companhia.
A proposta colocava o valor da Amil em cerca de R$ 16 bilhões.
Recuperação da empresa pesou na decisão
Outro fator importante para compreender a desistência é a transformação da própria Amil desde que Júnior reassumiu o negócio.
O empresário conseguiu reverter prejuízos, levar a companhia novamente ao lucro e zerar sua dívida, fortalecendo a situação financeira da operadora.
A Amil alcançou receita anual de R$ 44 bilhões e trabalha com projeção de aproximadamente R$ 2,6 bilhões de lucro em 2026.
Nesse contexto, deixar uma operação novamente rentável e financeiramente mais saudável teria se tornado uma decisão mais difícil para o controlador, que demonstrava resistência à ideia de se afastar da gestão.
Uma história de ida e volta à Amil
A decisão acrescenta mais um capítulo à relação de José Seripieri Filho com a companhia que fundou.
Depois de construir a Amil e vendê-la, o empresário retornou ao controle do negócio no final de 2023. Desde então, concentrou esforços na reorganização da companhia e na recuperação de seus resultados.
Agora, menos de três anos depois, recebeu a possibilidade de realizar uma nova venda bilionária, mas decidiu permanecer no negócio.
O encerramento das negociações também reforça uma questão importante sobre o valor da companhia: uma Amil sem dívida, novamente lucrativa e com receita anual de R$ 44 bilhões pode representar para seu controlador um ativo mais interessante para continuar desenvolvendo do que para vender neste momento.
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