A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo. O Brent ultrapassou US$ 105 por barril nesta sessão, depois que os Houthis, grupo apoiado pelo Irã, ameaçaram o Estreito de Bab al-Mandeb, uma das rotas estratégicas para o transporte marítimo global de petróleo.
Os contratos do Brent para novembro chegaram a avançar mais de 4% em Londres. No mercado brasileiro, a valorização da commodity colocou a Petrobras entre os principais ganhos do Ibovespa, contribuindo para que o índice avançasse mais de 0,6%, mesmo diante de um ambiente negativo nos mercados internacionais.
Para a estatal brasileira, entretanto, o petróleo acima de US$ 100 representa apenas uma parte de uma combinação que pode favorecer significativamente sua geração de caixa.
Corte de tributos muda equação dos combustíveis
O governo reduziu a tributação sobre os combustíveis em R$ 0,63 por litro na gasolina, R$ 0,19 no etanol e R$ 1,00 no diesel. Paralelamente, a Petrobras deixou de conceder desconto sobre a gasolina A.
A combinação permite aliviar o preço pago pelo consumidor por meio da redução tributária sem exigir que todo o ajuste seja absorvido pela companhia.
Segundo estimativa do BTG Pactual, as mudanças podem proporcionar aproximadamente US$ 3,4 bilhões adicionais para a Petrobras até o final do ano.
O Bradesco BBI calcula um efeito ainda mais expressivo caso as medidas sejam anualizadas: cerca de US$ 6,5 bilhões sobre o fluxo de caixa livre, correspondendo a um rendimento incremental próximo de 5%.
Petróleo, câmbio e tributação favorecem geração de caixa
O cenário reúne três fatores particularmente relevantes para a companhia: Brent elevado, dólar forte e alívio tributário no mercado doméstico de combustíveis.
Essa combinação pode colocar a Petrobras em uma janela de geração de caixa que não era observada desde 2022.
O preço internacional do petróleo influencia diretamente as receitas da companhia, enquanto a valorização do dólar tende a favorecer receitas denominadas na moeda norte-americana. Ao mesmo tempo, as mudanças tributárias reduzem parte da pressão doméstica sobre os preços dos combustíveis.
O resultado é um ambiente potencialmente favorável à geração de caixa da estatal, desde que as atuais condições sejam mantidas.
Petrobras ajuda a sustentar Ibovespa, mas concentração chama atenção
A valorização da Petrobras também evidencia uma característica importante da bolsa brasileira: o peso de poucas grandes companhias sobre o desempenho do índice.
Com o Ibovespa acima dos 186 mil pontos, Petrobras e Vale continuam exercendo influência significativa sobre a direção do mercado.
Isso significa que um movimento positivo das commodities pode sustentar o índice mesmo quando boa parte do mercado internacional apresenta desempenho negativo.
O ambiente externo, por sua vez, adiciona uma variável importante. As expectativas do mercado apontam para quase 70% de probabilidade de elevação dos juros pelo Federal Reserve, cenário que tende a aumentar a cautela em relação aos ativos de risco.
A Petrobras encontra-se, portanto, no cruzamento de forças bastante particulares: a tensão geopolítica pressiona o petróleo para cima, o câmbio e as medidas tributárias favorecem seu potencial de geração de caixa e, simultaneamente, juros mais elevados nos Estados Unidos podem aumentar a volatilidade dos mercados globais.
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