A Votorantim acertou a venda de sua participação de 64,68% na Nexa Resources para a mineradora sueca Boliden, em uma operação avaliada em US$ 1,31 bilhão. O negócio, porém, não será pago em dinheiro: o grupo brasileiro receberá ações da compradora e passará a deter aproximadamente 7% da Boliden, tornando-se seu maior acionista.
A estrutura da transação representa mais do que uma saída da Votorantim do controle direto da Nexa. Na prática, o grupo troca uma participação majoritária em uma mineradora com forte presença latino-americana por uma posição minoritária em uma companhia de maior escala e com ativos distribuídos entre Europa e América Latina.
Para a Boliden, a aquisição representa uma expansão geográfica importante. Com a incorporação da Nexa, a companhia passa a reunir 12 minas e oito unidades metalúrgicas nas duas regiões.
Negócio cria uma das maiores produtoras de zinco do mundo
A combinação dos ativos também deverá alterar a posição da Boliden no mercado global de zinco.
Com a Nexa, a mineradora sueca deverá se tornar a segunda maior produtora mundial de zinco em concentrado, atrás apenas da Hindustan Zinc.
A operação amplia, portanto, tanto a escala quanto a diversificação geográfica da companhia, adicionando à plataforma europeia da Boliden os ativos latino-americanos da Nexa.
Para a Votorantim, por outro lado, a transação mantém exposição ao setor de mineração, mas modifica a forma dessa participação. Em vez de controlar diretamente a Nexa, passa a participar economicamente de um grupo internacional mais diversificado.
Votorantim avança na transformação do portfólio
A venda também está inserida em um movimento mais amplo de transformação da Votorantim em uma holding de investimentos, com revisão de suas participações e realocação de capital entre diferentes negócios.
Em janeiro, o grupo já havia acertado a venda de sua participação na CBA para Chalco e Rio Tinto.
As duas operações sinalizam uma mudança relevante na configuração do portfólio: ativos historicamente associados ao grupo deixam de ser necessariamente controlados diretamente, enquanto a Votorantim passa a assumir posições financeiras em outras companhias.
No caso da Nexa, essa estratégia fica especialmente evidente pela forma de pagamento. A Votorantim não está simplesmente vendendo um ativo por US$ 1,31 bilhão e deixando o setor. Está trocando controle por diversificação.
Ao se tornar o maior acionista individual da Boliden, com cerca de 7%, o grupo mantém exposição à mineração, mas agora por meio de uma empresa com operações em dois continentes e uma posição ampliada no mercado mundial de zinco.
Leia mais:





