Ibovespa dispara mais de 3% e se aproxima dos 186 mil pontos após nova pesquisa eleitoral

O mercado financeiro brasileiro registrou uma forte valorização nesta quarta-feira (2). Por volta das 12h15, o Ibovespa avançava 3,41%, aos 185.855 pontos, depois de chegar à máxima de 185.989 pontos durante a sessão.

O movimento ganhou força após a divulgação de uma nova pesquisa Quaest, que reforçou a percepção de uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de outubro.

A reação, no entanto, não ficou restrita à Bolsa. O dólar e o euro recuaram, enquanto as taxas dos contratos futuros de juros também apresentaram queda, indicando uma mudança mais ampla na precificação dos ativos brasileiros.

Pesquisa reforçou cenário que já vinha sendo incorporado aos preços

O levantamento não representou uma mudança completamente inesperada para os investidores. Outras pesquisas divulgadas ao longo da semana já apontavam na mesma direção, e parte desse cenário vinha sendo gradualmente incorporada aos preços dos ativos.

A pesquisa desta quarta-feira funcionou como uma nova confirmação dessa tendência e ajudou a acelerar o movimento que já estava em curso.

Em anos eleitorais, pesquisas de intenção de voto passam a integrar de forma mais intensa as avaliações do mercado sobre os possíveis rumos da política econômica, das contas públicas e das reformas.

Quanto mais próxima fica a eleição, maior tende a ser a sensibilidade dos ativos a mudanças nas probabilidades atribuídas a cada cenário político.

Dólar recua e juros futuros acompanham movimento

A valorização da Bolsa foi acompanhada por uma queda relevante no câmbio.

Por volta das 12h15, o dólar à vista recuava 0,98%, cotado a R$ 5,1052, enquanto o euro comercial caía 0,94%, para R$ 5,9169.

Os juros futuros também apresentavam recuo.

O contrato com vencimento em janeiro de 2031 passou de 14,405% para 14,20%, enquanto câmbio e juros operavam próximos das mínimas da sessão.

Quando Bolsa sobe ao mesmo tempo em que dólar e juros futuros caem, o movimento pode sinalizar uma melhora na percepção dos investidores sobre o risco atribuído aos ativos domésticos naquele momento.

Cenário externo ajudou, mas movimento brasileiro foi muito mais forte

Os mercados internacionais também operavam em terreno positivo, embora com uma intensidade bastante inferior à observada no Brasil.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançava 0,50%, aos 7.669,85 pontos, enquanto o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos permanecia próximo de 4,80%.

No mercado de petróleo, o Brent para novembro registrava alta de 0,78%, negociado a US$ 95,39 por barril.

A diferença entre o desempenho dos mercados externos e a disparada dos ativos brasileiros reforçava o peso dos fatores domésticos sobre a sessão.

Eleição entra definitivamente no radar dos mercados

A movimentação desta quarta-feira mostra como a eleição presidencial começa a ocupar espaço cada vez maior na formação dos preços dos ativos brasileiros.

Isso não significa que uma única pesquisa determine a trajetória da Bolsa, do dólar ou dos juros. Cada levantamento modifica apenas uma parte das expectativas, que continuam sujeitas a novas pesquisas, desempenho da economia, cenário fiscal, decisões de política monetária e acontecimentos da própria campanha.

Com a proximidade da eleição, porém, essa sensibilidade tende a aumentar.

E o pregão desta quarta oferece uma demonstração clara disso: uma confirmação no cenário eleitoral foi suficiente para acelerar simultaneamente a alta da Bolsa e a queda do dólar e dos juros futuros.

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