Pesquisadores brasileiros e a indústria de energia renovável apostam na macaúba, uma palmeira nativa rica em óleo, como uma das principais matérias-primas para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Segundo reportagem da Bloomberg, a espécie tem potencial para posicionar o Brasil entre os maiores produtores mundiais desse combustível, considerado estratégico para a descarbonização do transporte aéreo.
O projeto é desenvolvido pela Acelen Renováveis, empresa controlada pelo fundo Mubadala Capital, que anunciou investimentos de aproximadamente US$ 3 bilhões para estruturar uma cadeia produtiva baseada na macaúba e viabilizar a produção de SAF em escala comercial.
Cultivo em áreas degradadas
Os planos da companhia preveem o cultivo de até 144 mil hectares de macaúba em áreas degradadas de Minas Gerais.
As primeiras plantações deverão começar a produzir frutos por volta de 2030, abastecendo uma biorrefinaria atualmente em construção na Bahia.
Quando atingir sua capacidade máxima, a unidade poderá produzir até 20 mil barris de SAF por dia, volume que corresponde a quase metade da produção mundial registrada em 2025, estimada em aproximadamente 41 mil barris diários, segundo a Bloomberg.
Alta produtividade
Um dos principais diferenciais da macaúba é sua elevada produtividade.
De acordo com a Acelen Renováveis, a palmeira pode produzir entre sete e dez vezes mais óleo por hectare do que a soja, atualmente uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de biocombustíveis.
Enquanto os novos cultivos não entram em fase produtiva, a biorrefinaria utilizará óleo de soja e óleo de cozinha usado como insumos para a produção do combustível sustentável.
Redução das emissões
O Combustível Sustentável de Aviação (SAF) é produzido a partir de fontes renováveis e pode ser utilizado nas aeronaves atualmente em operação, desde que respeitadas as proporções de mistura aprovadas pelas autoridades regulatórias, sem necessidade de alterações nos motores.
A utilização do SAF contribui para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao querosene convencional de aviação, tornando-se uma das principais alternativas para a transição energética do setor aéreo.
Potencial para o Brasil
Além da redução das emissões, o projeto prevê o aproveitamento de áreas degradadas e a ampliação da produção nacional de matérias-primas renováveis.
Caso as metas sejam alcançadas, a macaúba poderá transformar o Brasil em um dos principais fornecedores globais de combustível sustentável para aviação, fortalecendo a posição do país em um mercado considerado estratégico para a economia de baixo carbono.
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