Meta reforça comando para expansão da IA enquanto Redata abre nova janela para data centers no BrasilMeta reforça comando para expansão da IA enquanto Redata abre nova janela para data centers no BrasilMeta reforça comando para expansão da IA enquanto Redata abre nova janela para data centers no BrasilMeta reforça comando para expansão da IA enquanto Redata abre nova janela para data centers no BrasilMeta reforça comando para expansão da IA enquanto Redata abre nova janela para data centers no Brasil

A expansão global da infraestrutura necessária para a inteligência artificial está movimentando centenas de bilhões de dólares e aumentando a importância de temas que até poucos anos atrás tinham papel secundário nas estratégias das grandes empresas de tecnologia: energia, disponibilidade de terrenos, financiamento, segurança jurídica e relacionamento com governos.

Nesse cenário, a Meta nomeou Dina Powell McCormick como presidente e vice-chairman da companhia. O anúncio foi feito em janeiro e representa uma mudança importante na estrutura de liderança da empresa, justamente no momento em que a dona de Facebook, Instagram e WhatsApp acelera seus investimentos em inteligência artificial e infraestrutura.

Powell já havia integrado o Conselho de Administração da Meta e possui trajetória nos setores financeiro e governamental. Ao anunciar sua contratação, Mark Zuckerberg destacou sua experiência em finanças globais e seus relacionamentos internacionais como relevantes para a nova fase de crescimento da companhia.

Meta prevê mais de US$ 600 bilhões em investimentos nos Estados Unidos

A dimensão do desafio ajuda a explicar a escolha.

A própria Meta anunciou compromisso de investir mais de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos até 2028, incluindo infraestrutura, expansão da força de trabalho e data centers de IA. Em reais, o montante supera R$ 3 trilhões dependendo da taxa de câmbio utilizada. Portanto, o valor não deve ser apresentado como R$ 3 trilhões destinados exclusivamente a data centers ou disponíveis para investimentos internacionais.

A companhia descreveu a infraestrutura física e financeira necessária à IA como parte central de sua próxima etapa de crescimento.

E financiamento externo já faz parte desse modelo. Em julho, por exemplo, Meta e BlackRock anunciaram uma parceria para desenvolver um campus de data center de 1 gigawatt em El Paso, no Texas, com investimento superior a US$ 10 bilhões.

Energia é outra peça fundamental. A Meta também anunciou acordos relacionados a projetos nucleares que podem viabilizar até 6,6 GW de capacidade para atender à expansão da infraestrutura tecnológica nos Estados Unidos.

Redata muda ambiente para investimentos no Brasil

É justamente quando as gigantes de tecnologia buscam energia e infraestrutura em escala inédita que o Brasil tenta se posicionar como destino para novos data centers.

O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) foi sancionado em 15 de setembro e estabelece incentivos fiscais para instalação, manutenção e expansão dessas estruturas no país.

O regime prevê, durante cinco anos, benefícios envolvendo tributos federais incidentes sobre equipamentos destinados aos centros de dados, incluindo Imposto de Importação, PIS/Cofins e IPI. Há também contrapartidas relacionadas a pesquisa e desenvolvimento, atendimento ao mercado brasileiro e critérios de sustentabilidade.

O governo estima que o novo ambiente poderá atrair entre R$ 500 bilhões e R$ 1 trilhão em investimentos, enquanto estimativas anteriores do Ministério da Fazenda mencionaram potencial de até R$ 2 trilhões ao longo de uma década.

Energia, terreno e conectividade entram na equação

O incentivo tributário, entretanto, é apenas uma parte da decisão sobre onde instalar um grande data center.

Projetos de grande escala exigem disponibilidade de energia, capacidade de conexão ao sistema elétrico, terrenos adequados, conectividade de alta capacidade, acesso a água ou soluções alternativas de refrigeração, licenciamento ambiental, segurança jurídica e infraestrutura logística.

A dimensão energética pode ser enorme. O novo campus da Meta em El Paso, por exemplo, terá capacidade computacional de 1 GW.

Isso significa que possuir simplesmente uma grande área de terreno não é suficiente para transformá-la em candidata a receber um empreendimento dessa natureza.

O valor estratégico de uma propriedade para o setor depende principalmente da combinação entre localização, energia disponível, infraestrutura de transmissão, conectividade, características ambientais, licenciamento e possibilidade de expansão.

Brasil entra no radar de uma disputa global por infraestrutura digital

Não há, até o momento, anúncio público da Meta vinculando a contratação de Dina Powell McCormick ao desenvolvimento de data centers no Brasil ou afirmando que recursos de seu programa de US$ 600 bilhões serão direcionados ao país. O compromisso anunciado pela companhia refere-se aos Estados Unidos.

O que existe é uma convergência importante.

De um lado, empresas globais de tecnologia estão procurando quantidades cada vez maiores de capital, energia e infraestrutura física para sustentar a expansão da inteligência artificial.

Do outro, o Brasil acaba de criar um regime tributário destinado justamente a tornar o país mais competitivo na atração desse tipo de investimento.

O Redata pode, portanto, ampliar as oportunidades para investidores, empresas de energia, operadores de data centers e proprietários de áreas com características adequadas para receber grandes projetos.

Nesse mercado, porém, terreno é apenas o começo. A capacidade de demonstrar viabilidade energética, regulatória, ambiental e de conectividade será determinante para transformar uma área disponível em um projeto efetivamente atraente para investidores.

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