O Nordeste consolidou um novo espaço no mapa da vitivinicultura brasileira. A região produziu 22,67 milhões de litros de vinho em 2025, volume equivalente a 7,32% da produção nacional, e ultrapassou o Sudeste, assumindo a segunda posição entre as regiões produtoras do país.
Os dados fazem parte do Anuário do Vinho 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura, e refletem a expansão de uma atividade que vem avançando para além das áreas tradicionalmente associadas à produção brasileira de vinhos.
Atualmente, o Nordeste reúne 32 vinícolas distribuídas por seis estados: Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. Pernambuco ocupa a liderança regional em número de vinícolas e produtos registrados.
Vale do São Francisco impulsiona produção nordestina
Um dos principais motores dessa expansão é o Vale do São Francisco, polo vitivinícola que se desenvolveu em condições bastante diferentes das encontradas nas regiões produtoras tradicionais.
A atividade na região aproveita características climáticas particulares e sistemas de irrigação para desenvolver a produção de uvas e vinhos em ambiente tropical.
O avanço nordestino, entretanto, já não está restrito ao Vale do São Francisco. Novos territórios produtores vêm ampliando a diversidade da vitivinicultura regional.
Chapada Diamantina amplia mapa do vinho na Bahia
Na Bahia, a Chapada Diamantina vem ganhando espaço como outro polo produtor, acrescentando características próprias ao mapa vitivinícola do estado.
A expansão para diferentes territórios contribui para diversificar produtos, experiências e modelos de negócio ligados ao vinho nordestino.
Além dos vinhos tranquilos, o crescimento regional também envolve espumantes e frisantes, ampliando o portfólio disponível ao consumidor.
Vinho passa a movimentar também o turismo
O desenvolvimento das vinícolas vem acompanhado de outra atividade com potencial econômico: o enoturismo.
Visitas às propriedades, degustações, gastronomia, hospedagem e experiências relacionadas ao processo de produção transformam as vinícolas em atrações turísticas e permitem que parte do valor gerado pela atividade permaneça nos próprios territórios produtores.
Nesse modelo, a cadeia econômica deixa de estar limitada à produção e comercialização das garrafas e passa a envolver também restaurantes, hotéis, pousadas, operadores turísticos e outros serviços.
Nordeste responde por 7,32% da produção brasileira
Os 22,67 milhões de litros produzidos em 2025 colocaram o Nordeste com participação de 7,32% do volume nacional.
Mais do que uma mudança no ranking regional, os números mostram uma diversificação geográfica da vitivinicultura brasileira.
A presença de 32 vinícolas em seis estados, combinada à expansão de polos como o Vale do São Francisco e a Chapada Diamantina e ao crescimento do enoturismo, aponta para uma cadeia que passa a reunir agricultura, indústria, gastronomia e turismo.
Para o Nordeste, o vinho começa, assim, a representar não apenas uma atividade produtiva, mas também um instrumento de valorização territorial e geração de novas experiências turísticas.
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