Arroba do boi gordo sobe 4,5% no país, mas mercado deve perder força nas próximas semanas

O mercado físico do boi gordo encerrou a última semana em alta, acumulando valorização próxima de 4,5% nas principais regiões pecuárias do Brasil. O movimento foi impulsionado, principalmente, pela oferta restrita de animais prontos para o abate, fator que levou frigoríficos a elevar os preços pagos aos pecuaristas para garantir o abastecimento.

Apesar da recuperação, analistas do setor avaliam que o ritmo de valorização tende a desacelerar no curto prazo. Escalas de abate consideradas confortáveis e uma postura mais cautelosa da indústria indicam que o mercado pode entrar em um período de estabilidade, com reajustes pontuais nas diferentes regiões do país.

Oferta reduzida sustenta os preços

Segundo levantamento da Agrifatto, o mercado físico voltou a registrar alta na sexta-feira (26). Rondônia apresentou um dos maiores avanços do dia, com valorização de 0,61%, elevando a cotação média da arroba para R$ 317,39.

A consultoria Safras & Mercado destaca que a principal sustentação dos preços continua sendo a baixa oferta de animais terminados. Em grande parte do país, os frigoríficos operam com escalas de abate entre quatro e sete dias úteis, o que ainda exige atenção nas compras de matéria-prima.

De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, algumas indústrias também anunciaram férias coletivas como estratégia para adequar o ritmo de produção às atuais condições do mercado.

Mercado futuro sinaliza maior cautela

Enquanto o mercado físico manteve a trajetória de alta, o comportamento foi diferente na B3.

O contrato futuro do boi gordo com vencimento em setembro de 2026 recuou 0,65%, encerrando o pregão cotado a R$ 345,85 por arroba.

O desempenho indica que investidores esperam um mercado menos aquecido nas próximas semanas, mesmo diante da valorização recente registrada nas negociações físicas.

Cotações avançam nas principais regiões produtoras

Os preços médios da arroba encerraram a semana em alta nas principais praças pecuárias brasileiras:

  • São Paulo: R$ 343,50
  • Mato Grosso do Sul: R$ 332,39
  • Goiás: R$ 325,36
  • Mato Grosso: R$ 320,74
  • Minas Gerais: R$ 320,29

Apesar da valorização, especialistas observam que a indústria continua operando com relativa tranquilidade nas compras.

Escalas de abate reduzem pressão por novas altas

A Agrifatto informa que as escalas nacionais encerraram a semana com média de seis dias úteis, nível considerado confortável para os frigoríficos.

As menores programações permanecem em:

  • Tocantins: 4 dias úteis;
  • Pará: 4 dias úteis;
  • Rondônia: 5 dias úteis;
  • Mato Grosso do Sul: 5 dias úteis.

Já São Paulo, Minas Gerais e Goiás encerraram a semana com escalas de sete dias.

Esse cenário reduz a necessidade de uma disputa mais intensa pela compra de animais e pode limitar novas altas expressivas no curto prazo.

Boi China mantém valorização

O segmento do Boi China, destinado à exportação para o mercado chinês, também apresentou novos reajustes.

Segundo a Scot Consultoria, em São Paulo a cotação do boi habilitado para exportação subiu R$ 4,00 por arroba, enquanto vacas e novilhas registraram aumento de R$ 3,00.

No Mato Grosso, três das quatro regiões monitoradas apresentaram valorização, com destaque para a região Norte, onde todas as categorias avançaram R$ 5,00 por arroba.

O movimento continua refletindo a oferta limitada de animais aptos ao mercado internacional.

Carne brasileira fica fora de nova sobretaxa dos Estados Unidos

No mercado externo, uma decisão do governo norte-americano trouxe alívio para a pecuária brasileira.

Os Estados Unidos excluíram a carne bovina, couros, peles e outros subprodutos brasileiros da sobretaxa de 12,5% anunciada no âmbito de uma investigação relacionada ao trabalho forçado.

A isenção foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Embora o relatório mantenha críticas às condições de trabalho na pecuária brasileira, o governo norte-americano avaliou que a aplicação da sobretaxa poderia comprometer o abastecimento interno, já que os Estados Unidos enfrentam atualmente o menor rebanho bovino das últimas décadas.

O governo brasileiro contestou as acusações e afirmou que o país possui legislação específica, fiscalização permanente e mecanismos de combate ao trabalho análogo à escravidão, classificando a investigação como incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Perspectiva é de mercado firme, mas com menor ritmo de valorização

Após a expressiva recuperação das últimas semanas, a expectativa predominante é de um mercado mais equilibrado.

A oferta reduzida de animais continua sustentando as cotações e dificulta movimentos de queda. Por outro lado, as escalas de abate relativamente confortáveis e a postura mais seletiva dos frigoríficos tendem a limitar novas altas expressivas.

Assim, especialistas projetam um cenário de estabilidade, com negociações firmes e oscilações pontuais entre as diferentes regiões produtoras.

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