Partido avança no Senado e na Câmara nas eleições de meio de mandato, em meio à insatisfação com o custo de vida e a política externa americana.
Os democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), segundo projeções divulgadas pela imprensa americana. O resultado representa uma mudança na correlação de forças em Washington e amplia os desafios políticos do presidente Donald Trump para os dois últimos anos de seu mandato.
A insatisfação dos eleitores com o aumento do custo de vida e os efeitos econômicos dos conflitos no Oriente Médio estiveram entre os principais temas da campanha.
No Senado, os democratas conquistaram pelo menos sete cadeiras anteriormente ocupadas por republicanos, incluindo vitórias em estados tradicionalmente conservadores, como Texas, Kansas e Carolina do Sul. O partido também preservou assentos em Michigan e Minnesota.
Um dos resultados mais expressivos ocorreu no Texas, onde James Talarico venceu a disputa pelo Senado. A vitória encerrou um longo período sem triunfos democratas em eleições estaduais no estado, que durava desde 1994.
Câmara terá maioria democrata
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram pelo menos 25 distritos anteriormente controlados pelos republicanos.
Projeções da NBC News apontam que o partido poderá alcançar 255 das 435 cadeiras, com avanços em estados como Indiana, Iowa, Virgínia e Pensilvânia.
A nova composição do Congresso deverá dificultar a aprovação de propostas legislativas do governo Trump e ampliar a capacidade de fiscalização parlamentar sobre a administração federal.
Eleições também registram marcos históricos
Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora de um estado americano, segundo projeções da imprensa.
Ex-prefeita de Atlanta, ela assumirá o comando de um estado governado por republicanos há mais de duas décadas.
Trump minimiza derrota
Em entrevista à Fox News, Trump atribuiu parte do resultado eleitoral ao aumento dos preços associado à guerra no Irã, mas afirmou não considerar a derrota republicana um golpe pessoal.
O presidente também sinalizou que poderá vetar projetos aprovados pela nova maioria democrata.
Apesar da mudança no Congresso, Trump continuará exercendo atribuições executivas relevantes em áreas como política comercial, relações exteriores e imigração, dentro dos limites estabelecidos pela legislação americana.
Mercados reagem e empresas acompanham cenário
A perspectiva de maior confronto entre a Casa Branca e o Congresso provocou reações nos mercados financeiros.
Contratos futuros do índice S&P 500 registraram queda de 1,4%, enquanto os títulos do Tesouro americano se valorizaram, em meio às expectativas de restrições a novas medidas de expansão fiscal.
Para o setor empresarial, a nova configuração política também poderá representar maior fiscalização de contratos públicos, decisões regulatórias e relações entre empresas e o governo federal.
A partir de janeiro de 2027, quando os parlamentares eleitos assumirem seus mandatos, os democratas poderão utilizar o controle das comissões legislativas para convocar autoridades, solicitar documentos e conduzir investigações sobre a administração Trump.
O resultado estabelece um cenário de governo dividido, no qual o presidente republicano precisará negociar com um Congresso controlado pela oposição.
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