Expansão das receitas comerciais, crescimento da audiência e controle de gastos transformaram a rentabilidade das equipes na última década.
A Fórmula 1 passou por uma transformação financeira na última década, deixando de ser um negócio marcado por elevados prejuízos para se tornar um mercado de equipes avaliadas em bilhões de dólares. A Mercedes é um dos principais exemplos dessa mudança, com uma valorização estimada em mais de 3.000% desde 2013.
Naquele ano, Toto Wolff, atual chefe da equipe, adquiriu uma participação de 30% por US$ 50 milhões. No fim de 2025, uma operação envolvendo 5% do capital foi avaliada em US$ 300 milhões, atribuindo à Mercedes um valor de mercado de aproximadamente US$ 6 bilhões.
A valorização reflete uma mudança na estrutura econômica da categoria, impulsionada pelo crescimento das receitas comerciais, pela expansão internacional da audiência e pela adoção de regras de controle de custos.
Mercedes passou do prejuízo ao lucro
Em 2013, a Mercedes registrou prejuízo de US$ 84 milhões. Em 2025, a equipe apresentou lucro de US$ 168 milhões sobre um faturamento de aproximadamente US$ 850 milhões, alcançando margem próxima de 20%.
Segundo os números apresentados, as receitas foram impulsionadas principalmente pelos contratos de patrocínio, responsáveis por cerca de US$ 550 milhões, e pelas premiações esportivas, que somaram aproximadamente US$ 300 milhões.
A evolução financeira mostra como as equipes passaram a explorar comercialmente suas marcas, atraindo patrocinadores e investidores interessados no crescimento global da competição.
Liberty Media e Netflix ampliaram o público
Uma das principais mudanças ocorreu em 2017, quando a Liberty Media assumiu o controle comercial da Fórmula 1.
A nova gestão investiu na presença digital, na expansão para mercados estratégicos e em iniciativas para aproximar os fãs dos pilotos e das equipes.
Entre elas está a série documental Drive to Survive, lançada pela Netflix em 2019, que contribuiu para ampliar a popularidade da categoria, especialmente entre novos públicos e nos Estados Unidos.
A participação feminina na audiência também cresceu, acompanhando a expansão do alcance internacional do campeonato.
Nesse período, a receita anual da operação comercial da Fórmula 1 passou de aproximadamente US$ 1,8 bilhão, em 2017, para US$ 3,8 bilhões, conforme os números apresentados, um avanço médio próximo de 10% ao ano.
Teto de gastos mudou a economia das equipes
Outro fator decisivo foi a introdução do teto orçamentário, em 2021, que passou a limitar determinadas despesas relacionadas ao desempenho dos carros.
A medida buscou reduzir as diferenças financeiras entre as equipes e tornar a competição economicamente mais sustentável.
O limite é estabelecido em dólares e varia conforme o regulamento de cada temporada, com exclusões para determinadas despesas, como salários dos pilotos e parte dos custos de marketing.
O novo modelo ajudou a reduzir o risco de gastos excessivos, problema que contribuiu para a saída de fabricantes como BMW, Toyota e Honda em períodos anteriores.
Rentabilidade ainda varia entre as equipes
Apesar do crescimento das receitas, os resultados financeiros não são uniformes.
Entre as operações sediadas no Reino Unido, os dados apresentados para 2025 indicam lucro de US$ 24 milhões para a Red Bull e de US$ 10 milhões para a Alpine.
Já Williams e Aston Martin registraram prejuízos de US$ 33 milhões e US$ 55 milhões, respectivamente.
Os números demonstram que a valorização comercial da Fórmula 1 não elimina os desafios de rentabilidade, especialmente diante dos investimentos necessários para manter a competitividade.
Ainda assim, a combinação de receitas recorrentes, maior audiência e disciplina orçamentária consolidou as equipes como ativos de interesse para investidores internacionais.
Mais do que uma competição automobilística, a Fórmula 1 tornou-se uma plataforma global de entretenimento, marketing e negócios.
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