A Azul está buscando R$ 2,66 bilhões em financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como parte de sua estratégia para reforçar a liquidez, reorganizar passivos e reduzir a alavancagem financeira nos próximos anos.
Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Do montante previsto, aproximadamente R$ 1,3 bilhão já foi desembolsado, enquanto a parcela restante é esperada para o quarto trimestre.
Parte do dinheiro será destinada à gestão do endividamento da companhia, incluindo o pré-pagamento de cerca de R$ 400 milhões em dívidas consideradas de custo elevado.
O movimento ocorre após uma ampla reestruturação financeira da empresa, que deixou o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, em fevereiro.
Azul quer reduzir alavancagem para menos de 1,5 vez
Uma das prioridades da companhia é diminuir sua relação entre dívida e geração operacional de caixa.
A meta é levar a alavancagem financeira para menos de 1,5 vez até 2029, buscando uma estrutura de capital mais equilibrada depois do processo de reestruturação.
Desde a saída do Chapter 11, a Azul afirma ter reduzido seu endividamento em aproximadamente US$ 2,5 bilhões.
A redução representa um avanço importante na reorganização do balanço, mas não elimina os desafios enfrentados pelo setor aéreo, especialmente em um ambiente de custos elevados e forte exposição ao dólar.
Câmbio e combustível continuam pressionando companhia aérea
As empresas de aviação possuem uma estrutura de custos particularmente sensível às oscilações cambiais.
Parte relevante das despesas do setor — incluindo combustível, leasing, manutenção e aquisição de equipamentos — possui relação direta ou indireta com o dólar. Dessa forma, movimentos de valorização da moeda norte-americana podem aumentar os custos mesmo para companhias cuja maior parte das receitas é obtida em reais.
O combustível também permanece como uma variável importante para as margens das empresas aéreas.
Essas pressões apareceram nos resultados recentes da Azul. A companhia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 1 bilhão no segundo trimestre, apesar de alcançar receita recorde próxima de R$ 5 bilhões.
A combinação ajuda a mostrar que crescimento de faturamento não necessariamente se traduz em melhora proporcional do resultado quando despesas financeiras e operacionais permanecem elevadas.
Recursos também serão usados na gestão de passivos
O financiamento pretendido junto ao BNDES não deve funcionar apenas como reforço de caixa.
A Azul pretende utilizar parte dos recursos para substituir ou antecipar obrigações mais caras. Entre as medidas previstas está o pré-pagamento de aproximadamente R$ 400 milhões em dívidas de custo elevado.
Essa estratégia pode contribuir para diminuir despesas financeiras futuras, dependendo das condições das novas operações e das obrigações liquidadas.
A desalavancagem ganha importância depois de um período particularmente difícil para a aviação, marcado pelos efeitos acumulados da pandemia, aumento de custos, juros elevados e volatilidade cambial.
2026 é tratado como ano de transição
O CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a companhia está em uma posição saudável e classificou 2026 como um ano de transição.
A avaliação ocorre após a saída do Chapter 11 e enquanto a empresa procura transformar a redução de dívida obtida na reestruturação em uma melhora mais duradoura da estrutura financeira.
O desafio agora passa por combinar geração de caixa, controle dos custos, administração do endividamento e desempenho operacional.
Nesse processo, a evolução da alavancagem será um dos indicadores relevantes para acompanhar a capacidade da companhia de alcançar a meta estabelecida para 2029.
Ações avançam após informações sobre estratégia financeira
No mercado acionário, as ações da Azul encerraram a sessão mencionada com alta de 1,71%, cotadas a R$ 17,80.
A variação de uma única sessão, entretanto, não deve ser atribuída exclusivamente a um fator, uma vez que o comportamento das ações também reflete expectativas dos investidores, condições gerais do mercado e notícias relacionadas à própria companhia e ao setor.
Para a Azul, a obtenção dos recursos do FNAC via BNDES integra uma etapa posterior à reestruturação realizada no Chapter 11.
Depois de reduzir aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas, a companhia passa a concentrar esforços em liquidez, gestão dos passivos e desalavancagem, tendo como objetivo chegar a 2029 com uma relação de alavancagem inferior a 1,5 vez.
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