A família controladora da Camil Alimentos encontrou uma forma de levantar R$ 350 milhões sem vender sua participação na companhia. A Camil Investimentos, holding da família Quartiero, realizou uma emissão de notas comerciais utilizando como garantia 180 milhões de ações da fabricante de alimentos.
O volume de ações vinculado à operação equivale a 51,43% do capital da Camil Alimentos.
Considerando a cotação de R$ 5,08 utilizada nos documentos da operação, o bloco dado em garantia estava avaliado em aproximadamente R$ 914,4 milhões, valor equivalente a cerca de 2,6 vezes o principal da dívida.
A garantia não se restringe ao valor econômico das ações. Ela também abrange direitos políticos relacionados aos papéis e os proventos recebidos pela holding.
Recursos serão destinados aos acionistas da holding
Um dos aspectos que chama atenção na operação está justamente na destinação dos recursos captados.
Os R$ 350 milhões poderão ser utilizados para pagamento de dividendos, restituição de capital e outros proventos aos acionistas da própria Camil Investimentos.
Na prática, a estrutura permite que a família Quartiero obtenha liquidez a partir de sua participação na Camil Alimentos sem precisar vender as ações e, consequentemente, sem abrir mão do controle da companhia.
Existe, entretanto, uma contrapartida: uma parcela expressiva das ações da Camil passou a funcionar como garantia da dívida assumida pela holding.
Dívida tem vencimentos até 2031
A emissão foi estruturada em duas séries.
A primeira soma R$ 150 milhões, tem vencimento em 2028 e remuneração correspondente ao CDI acrescido de 3,15% ao ano.
A segunda representa outros R$ 200 milhões, com vencimento em 2031 e remuneração de CDI mais 3,85% ao ano.
O Bradesco BBI lidera a operação e assumiu garantia firme de colocação.
A Camil Alimentos destaca que o endividamento foi contratado pela holding controladora, e não pela companhia operacional, e afirma que a transação não provoca alteração em sua estrutura societária.
A operação mostra como grandes acionistas podem utilizar participações societárias relevantes como ativos para obtenção de crédito. Neste caso, a família mantém o controle da Camil, mas vincula parte expressiva desse patrimônio como garantia para levantar recursos.
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