Jusbrasil compra MinutaIA e reforça aposta em inteligência artificial para alcançar R$ 1 bilhão em receita

OJusbrasil adquiriu a totalidade da MinutaIA, startup especializada em redação jurídica com inteligência artificial que, pouco mais de um ano após sua criação, já acumula R$ 100 milhões em receita anual recorrente (ARR). O valor da transação não foi divulgado, e as negociações duraram cerca de três meses.

Fundada em fevereiro de 2025 com recursos dos próprios sócios, a MinutaIA nasceu de uma ferramenta desenvolvida pelo advogado Caio Perona inicialmente para uso pessoal. O sistema começou a circular entre colegas e evoluiu para um negócio que hoje atende mais de mil escritórios de advocacia e cerca de 180 instituições públicas, entre elas o Tribunal de Justiça de São Paulo.

A plataforma registra mais de 100 mil usuários mensais, dos quais aproximadamente metade é pagante, e chegou a essa escala com uma equipe de apenas 24 pessoas.

Com a aquisição, Perona passa a ser sócio do Jusbrasil. A MinutaIA, porém, continuará operando de forma independente, preservando marca, produto e equipe próprios.

Startup cresceu sem recursos de venture capital

Um dos aspectos que diferenciam a trajetória da MinutaIA é o modelo adotado para financiar sua expansão.

Segundo Perona, a empresa recusou propostas de fundos de venture capital porque os sócios consideravam que os recursos não ofereciam uma contrapartida estratégica suficiente para o negócio.

A companhia afirma operar sem queima de caixa e ter se sustentado financeiramente desde o início.

A combinação entre crescimento acelerado, receita recorrente e estrutura enxuta ajuda a explicar o interesse do Jusbrasil. Com R$ 100 milhões de ARR e 24 funcionários, a MinutaIA chega à operação como uma empresa que já validou comercialmente sua tecnologia no mercado jurídico.

IA já responde por 85% da receita do Jusbrasil

Para o Jusbrasil, a aquisição está diretamente ligada à estratégia de expansão de produtos baseados em inteligência artificial e à meta de alcançar R$ 1 bilhão em receita neste ano.

A companhia reúne atualmente 3 milhões de usuários pagantes e 25 milhões de visitas únicas mensais. Cerca de 85% de seu faturamento já vem de produtos relacionados à inteligência artificial.

Um dos principais é seu assistente de pesquisa e redação jurídica, que possui aproximadamente 350 mil assinantes, distribuídos em planos que variam de R$ 60 a R$ 200.

Os números mostram como a IA deixou de ser apenas uma funcionalidade adicional para assumir posição central no modelo de negócios da empresa.

Segunda aquisição relacionada à inteligência artificial

A compra da MinutaIA é o segundo movimento do Jusbrasil envolvendo empresas especializadas em IA.

Em 2024, a companhia adquiriu uma participação superior a 25% na Maritaca AI, laboratório dedicado ao desenvolvimento de um modelo de linguagem brasileiro.

As duas operações, embora diferentes, são complementares. A participação na Maritaca aproxima o Jusbrasil da camada tecnológica dos modelos de linguagem, enquanto a MinutaIA acrescenta uma aplicação especializada em um dos principais usos da IA generativa no setor jurídico: a produção de documentos.

A estratégia indica uma tentativa de construir uma presença cada vez maior em diferentes etapas do trabalho dos profissionais do Direito, da pesquisa à redação.

De Salvador para a transformação digital do mercado jurídico

A trajetória do Jusbrasil começou em Salvador, em 2008, com uma proposta bastante diferente da atual. A plataforma foi criada para indexar documentos judiciais que, naquele período, dificilmente apareciam nos mecanismos tradicionais de busca.

A empresa levou anos para consolidar um modelo de geração de receita, mas encontrou um novo ciclo de crescimento a partir de 2022, acompanhando a chegada da inteligência artificial generativa ao mercado jurídico.

Entre seus acionistas estão fundos como Monashees, Founders Fund, SoftBank e Warburg Pincus. Este último realizou um aporte de US$ 86 milhões em 2024.

A aquisição da MinutaIA mostra como a transformação provocada pela inteligência artificial começa também a redesenhar o mercado de legaltechs. Para o Jusbrasil, a disputa já não envolve somente ser o local onde profissionais encontram informações jurídicas, mas também fornecer as ferramentas utilizadas para pesquisar, interpretar e produzir o próprio trabalho jurídico.

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