A JBS firmou uma parceria estratégica com a Danantara Investment Management, braço de investimentos do fundo soberano da Indonésia, para criar uma joint venture que reunirá as operações da companhia na Austrália e na Nova Zelândia. O acordo prevê um investimento de US$ 2,5 bilhões do fundo indonésio em troca de uma participação de 25% na nova empresa.
Pela estrutura anunciada, a JBS transferirá 100% de suas participações nos negócios australianos e neozelandeses para uma holding constituída na Holanda e permanecerá com o controle da operação.
O investimento da Danantara será realizado em etapas. Inicialmente, serão aportados US$ 800 milhões, correspondentes a aproximadamente 9,64% da joint venture. Os US$ 1,7 bilhão restantes poderão ser investidos ao longo dos três anos seguintes, até que a participação alcance 25%.
A operação implica uma avaliação de aproximadamente US$ 7,5 bilhões para os ativos que a JBS está aportando, antes da entrada do novo capital. Após o investimento integral da Danantara, a joint venture terá valor patrimonial implícito de cerca de US$ 10 bilhões.
Negócio evidencia valor dos ativos internacionais
A avaliação atribuída às operações da Austrália e Nova Zelândia chama atenção porque evidencia o valor que diferentes partes do conglomerado podem alcançar separadamente.
Segundo estimativas divulgadas após o anúncio, dependendo da metodologia utilizada, o múltiplo implícito da operação pode ficar significativamente acima daquele pelo qual a JBS é negociada no mercado de capitais.
A transação, portanto, pode funcionar também como uma referência para investidores avaliarem o valor dos diferentes negócios que integram a multinacional brasileira.
Além dos US$ 2,5 bilhões em capital da Danantara, a joint venture pretende captar posteriormente até US$ 2,5 bilhões em financiamento externo, elevando para até US$ 5 bilhões os recursos disponíveis para investimentos.
Sudeste Asiático entra no foco da expansão
Os recursos serão direcionados a aquisições, novos projetos e expansão da produção de proteínas na Indonésia, em outros países do Sudeste Asiático, na Austrália e na Nova Zelândia.
A estratégia utiliza as operações australianas como plataforma para ampliar a presença da JBS em mercados asiáticos caracterizados pelo crescimento populacional, urbanização, aumento da renda e expansão do consumo de proteínas.
A região considerada pela parceria reúne aproximadamente 745 milhões de habitantes.
A JBS continuará como controladora da joint venture, com 75% do capital após a integralização do investimento do fundo indonésio.
IPO está previsto nos planos
O acordo também prevê a intenção de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) da joint venture no futuro.
As partes estabeleceram um período inicial de cinco anos no qual suas participações não poderão ser vendidas. Caso o IPO não tenha ocorrido após o sexto aniversário da conclusão da operação, a Danantara poderá, sob determinadas condições, trocar total ou parcialmente sua participação por novas ações emitidas pela própria JBS. O mecanismo poderá representar diluição para os atuais acionistas caso venha a ser utilizado.
A operação ainda depende de aprovações regulatórias e do cumprimento das condições previstas nos contratos.
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