Embaixador do Brasil na Noruega será novo presidente do Instituto Brasileiro de Mineração

O embaixador do Brasil na Noruega, Rodrigo de Azeredo Santos, será o novo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa empresas e organizações da indústria mineral brasileira. A escolha foi anunciada pelo Conselho Diretor do instituto na sexta-feira (25).

O diplomata deverá assumir o cargo na primeira quinzena de dezembro, após concluir os procedimentos administrativos necessários no Ministério das Relações Exteriores para deixar a representação brasileira na Noruega. Atualmente, ele também exerce cumulativamente a função de embaixador junto à Islândia.

Azeredo Santos sucederá o ex-ministro Raul Jungmann, que presidia o Ibram desde março de 2022 e morreu em janeiro deste ano.

Desde a vacância do cargo, o diretor de Relações Institucionais e Assuntos Associativos do instituto, Pablo Cesário, acumula interinamente a presidência. Ele permanecerá na função até a posse do novo dirigente.

Escolha ocorreu após processo de seleção

Segundo o Ibram, o processo para definir o sucessor de Jungmann começou em fevereiro e envolveu entrevistas com diferentes candidatos. A seleção contou ainda com o apoio de uma empresa especializada em recrutamento executivo.

O Conselho Diretor informou que chegou a um consenso em torno de Rodrigo de Azeredo Santos e afirmou que a escolha teve caráter técnico e apartidário. De acordo com a entidade, foram consideradas a trajetória profissional do diplomata e a convergência de sua experiência com os temas atualmente enfrentados pela indústria mineral.

Entre as áreas destacadas pelo Ibram estão economia, comércio exterior, investimentos, infraestrutura, ciência, tecnologia e relações com o setor empresarial.

A experiência internacional ganha relevância em um momento no qual temas como minerais críticos e estratégicos, transição energética, atração de investimentos e inserção do Brasil nas cadeias globais de fornecimento ocupam espaço crescente na agenda do setor mineral.

A Agência Nacional de Mineração (ANM), ao comentar nesta segunda-feira (28) a escolha do novo dirigente, destacou justamente o atual contexto geopolítico e os debates sobre agregação de valor aos minerais críticos, rastreabilidade da produção e desenvolvimento das regiões mineradoras.

Diplomata ingressou no Itamaraty em 1992

Rodrigo de Azeredo Santos tem 60 anos, é economista e diplomata de carreira.

Graduado em Economia pela PUC-Rio em 1986, também cursou Ciências Políticas no Instituto Católico de Paris e concluiu mestrado em Diplomacia e Relações Internacionais pela Schiller International University, em Londres.

Ingressou no Ministério das Relações Exteriores em 1992 e chegou, em 2018, a ministro de primeira classe, nível mais alto da carreira diplomática.

Ao longo de sua trajetória, passou por diferentes representações brasileiras no exterior, com atuação em cidades como Moscou, Washington, Buenos Aires, Londres, Teerã, Copenhague e Oslo. Também exerceu funções relacionadas à promoção comercial e à atração de investimentos no Itamaraty.

Entre 2017 e 2020, foi embaixador do Brasil no Irã. Posteriormente, comandou a representação brasileira na Lituânia e, desde 2024, ocupa a Embaixada do Brasil na Noruega, acumulando a representação junto à Islândia.

Novo comando ocorre em momento estratégico para mineração

A mudança na direção acontece enquanto a mineração brasileira discute uma série de temas com impacto econômico e geopolítico.

Entre eles estão a expansão da demanda internacional por minerais críticos utilizados na transição energética e nas novas tecnologias, a atração de capital para novos projetos, o processamento de minerais no próprio país e questões ambientais, regulatórias e tributárias.

O próprio Ibram vem ampliando sua participação nessas discussões. Em abril, a entidade projetou US$ 76,9 bilhões em investimentos na mineração brasileira até 2030.

A experiência de Azeredo Santos em diplomacia econômica, investimentos e relações internacionais tende, portanto, a integrar a atuação institucional do Ibram em um momento no qual a mineração ocupa espaço crescente nas discussões sobre segurança energética, cadeias globais de suprimentos e política industrial.

A escolha também foi recebida nesta segunda-feira pela Diretoria Colegiada da ANM, que manifestou expectativa de aprofundar a interlocução com o Ibram, preservadas as atribuições distintas da agência reguladora e da entidade representativa do setor.

Leia mais:

Investimento estrangeiro direto soma US$ 7,4 bilhões em agosto e acumula US$ 86,6 bilhões em 12 meses.

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