O El Niño poderá atingir intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, período que coincide com uma fase decisiva do plantio e desenvolvimento da safra brasileira 2026/27. Segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade desse cenário chega a 95%.
As projeções indicam ainda 69% de possibilidade de o atual El Niño ficar entre os mais intensos registrados desde 1950, aumentando a atenção do setor agrícola para os possíveis impactos sobre chuvas e temperaturas nas diferentes regiões produtoras do Brasil.
Os efeitos, entretanto, não devem ocorrer de maneira uniforme no território nacional.
No Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, no Norte e em parte de Mato Grosso, uma das principais preocupações é a possibilidade de redução das chuvas. No Sul do país, o cenário pode ser inverso, com precipitações acima da média e risco de excesso de umidade em determinadas culturas.
Soja está entre as principais preocupações
A produção brasileira de soja aparece entre os segmentos mais expostos. Segundo Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócio, entre 45% e 50% da área cultivada com a oleaginosa no Brasil poderá ficar sob influência do fenômeno climático.
Isso, porém, não significa uma perda equivalente na produção.
A própria NOAA ressalta que a ocorrência de um El Niño muito forte aumenta a probabilidade dos padrões climáticos tradicionalmente relacionados ao fenômeno, mas a intensidade do El Niño não pode ser convertida diretamente em uma previsão de quebra de safra.
Os impactos efetivos dependerão de fatores como distribuição e volume das chuvas, temperaturas, momento em que os eventos climáticos ocorrerem e estágio de desenvolvimento das lavouras.
Fenômeno pode continuar afetando o campo em 2027
Outro fator que amplia a atenção dos produtores é a possibilidade de persistência do fenômeno durante o próximo ano.
Entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, as projeções apontam 90% de probabilidade de o El Niño permanecer muito forte, fazendo com que seus possíveis efeitos atravessem diferentes etapas do calendário agrícola.
Caso as projeções se confirmem, a safra 2026/27 poderá representar mais um importante teste para a capacidade de adaptação do agronegócio brasileiro diante de eventos extremos de seca, excesso de chuvas e calor.
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