São Paulo Boat Show encerra 29ª edição com mais de 160 embarcações e avanço de barcos de maior porte

O São Paulo Boat Show encerrou nesta terça-feira (29) sua 29ª edição, no São Paulo Expo, depois de seis dias dedicados à indústria náutica, novos modelos de embarcações e tecnologias voltadas ao setor.

Realizado entre 24 e 29 de setembro, o salão reuniu mais de 160 embarcações e cerca de 30 lançamentos, em um mercado que vem ampliando a oferta de modelos de maior porte e incorporando novas soluções tecnológicas.

Antes da abertura, a organização projetava movimentar aproximadamente R$ 550 milhões em negócios, valor 10% superior aos R$ 500 milhões informados para a edição anterior. O resultado financeiro definitivo desta edição, entretanto, precisa ser confirmado pelo balanço pós-evento.

Em 2025, o São Paulo Boat Show recebeu cerca de 40 mil visitantes e registrou a comercialização de 750 embarcações, segundo números divulgados pelo evento.

Barcos maiores ganham espaço

Uma das características da edição deste ano foi a presença mais significativa de embarcações de maior porte.

Mais de 40 barcos expostos tinham entre 30 e 40 pés, representando cerca de 30% dos modelos apresentados no salão.

Cabines, áreas gourmet e espaços externos maiores estão entre as características dessas embarcações, voltadas a consumidores que procuram utilizar os barcos não apenas em passeios curtos, mas também em experiências de maior duração.

Segundo a organização, parte dessa demanda vem de clientes que ingressaram no mercado por meio de embarcações menores e passaram posteriormente a buscar mais conforto, autonomia e espaço.

O movimento indica um processo de amadurecimento de parte do mercado consumidor náutico, no qual proprietários migram gradualmente para modelos de maior porte conforme aumenta a frequência de utilização.

Indústria produz cerca de 5 mil embarcações de lazer por ano

O setor náutico brasileiro produz aproximadamente 5 mil embarcações de lazer anualmente e reúne perto de 150 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com os dados apresentados pelo setor.

O mercado abrange uma faixa bastante ampla de consumidores.

Há embarcações a partir de aproximadamente R$ 30 mil, enquanto grandes iates podem alcançar valores de dezenas de milhões de reais.

Ao mesmo tempo, a indústria brasileira ainda depende de componentes e insumos importados.

No primeiro semestre, as importações relacionadas à construção de embarcações chegaram a US$ 75,6 milhões, crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Essa dependência também torna a indústria sensível às oscilações cambiais, já que a valorização do dólar pode elevar o custo de componentes utilizados na fabricação nacional.

Itajaí concentra cerca de 35% da produção brasileira

Santa Catarina mantém posição de destaque na indústria náutica nacional, especialmente por meio de Itajaí, responsável por aproximadamente 35% da produção brasileira de embarcações.

No primeiro semestre, as exportações do município relacionadas ao setor alcançaram US$ 8,7 milhões, avanço de 93% na comparação anual.

É também em Itajaí que a fabricante italiana Azimut iniciou, em junho, a construção daquele que deverá ser o maior iate já produzido no Brasil.

A embarcação terá quase 30 metros de comprimento e preço inicial estimado em R$ 90 milhões.

O projeto integra um ciclo de aproximadamente R$ 120 milhões em investimentos da companhia no país, reforçando a participação brasileira também no segmento de embarcações de luxo de grande porte.

Projeto testa produção de hidrogênio a partir da água do mar

A edição deste ano também abriu espaço para tecnologias relacionadas à transição energética.

Entre os projetos apresentados esteve o JAQ H2, embarcação de aproximadamente 50 metros concebida para captar água do mar e produzir hidrogênio a bordo.

A proposta representa uma evolução do JAQ H1, embarcação de 36 metros utilizada durante a COP30, em Belém.

Na experiência anterior, o hidrogênio foi utilizado para abastecer sistemas como iluminação, climatização e cozinha da embarcação.

O desenvolvimento do JAQ H2 amplia essa proposta ao buscar integrar a própria produção do combustível ao funcionamento do barco.

Por se tratar de um projeto tecnológico em desenvolvimento, sua apresentação não significa que a solução já esteja disponível comercialmente em escala.

Evento funciona como vitrine de uma cadeia industrial mais ampla

Mais do que concentrar vendas de barcos, o São Paulo Boat Show funciona como uma vitrine para uma cadeia que envolve estaleiros, fabricantes de motores, equipamentos eletrônicos, sistemas de navegação, acessórios, serviços financeiros, marinas, manutenção e turismo náutico.

A maior presença de barcos entre 30 e 40 pés, os investimentos em embarcações de luxo e projetos relacionados ao hidrogênio mostram diferentes frentes de desenvolvimento do mercado brasileiro.

Com o encerramento da 29ª edição, a confirmação do volume efetivamente movimentado em negócios permitirá avaliar se o salão alcançou a projeção inicial de R$ 550 milhões.

Até a divulgação desse balanço, o valor deve ser tratado como meta estimada pela organização antes da realização do evento, e não como faturamento confirmado.

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