Startup gaúcha desenvolve órgãos humanos em laboratório para substituir testes em animais

Uma startup de Porto Alegre (RS) está revolucionando a forma como cosméticos, medicamentos e suplementos são testados antes de chegarem ao mercado. A Núcleo Vitro, empresa de biotecnologia fundada pela pesquisadora Bibiana Matte, desenvolveu uma tecnologia capaz de recriar tecidos e órgãos humanos em laboratório, oferecendo uma alternativa mais precisa e ética aos testes em animais.

Desde o início das operações, em 2019, a empresa já avaliou aproximadamente 2,6 mil produtos para mais de 350 empresas, consolidando-se como uma das referências brasileiras no segmento de biotecnologia aplicada aos ensaios pré-clínicos.

Tecnologia recria tecidos humanos para testes

A metodologia desenvolvida pela startup utiliza células obtidas em bancos especializados para reconstruir estruturas humanas em ambiente laboratorial.

Entre os modelos já produzidos estão tecidos e órgãos como pele, coração, pulmão e intestino, permitindo que pesquisadores avaliem a segurança e a eficácia de diferentes substâncias de maneira mais próxima da resposta do organismo humano.

Além de reduzir a necessidade de testes em animais, a tecnologia contribui para aumentar a confiabilidade das análises e acelerar processos de pesquisa e desenvolvimento.

Plataforma pretende simular o funcionamento do corpo humano

O próximo passo da empresa é ainda mais ambicioso.

A Núcleo Vitro está desenvolvendo uma plataforma capaz de conectar diferentes órgãos artificiais, simulando o funcionamento integrado do corpo humano.

A expectativa é que, nos próximos anos, o sistema reúna quatro órgãos interligados, permitindo avaliar como uma substância se comporta em diferentes tecidos simultaneamente e oferecendo resultados ainda mais precisos para a indústria farmacêutica, cosmética e de suplementos.

Expansão internacional está entre as metas

Com atuação em 11 países, a startup também pretende ampliar sua presença no mercado internacional.

O plano estratégico prevê alcançar faturamento de R$ 5 milhões até 2028, impulsionado pela expansão das operações e pelo desenvolvimento de novas soluções em engenharia de tecidos e biotecnologia.

A iniciativa acompanha uma tendência global de adoção de métodos alternativos aos testes em animais, impulsionada por avanços científicos, exigências regulatórias e pela busca por processos mais sustentáveis e éticos.

Biotecnologia impulsiona inovação na saúde

O crescimento de empresas como a Núcleo Vitro demonstra o potencial da biotecnologia brasileira para desenvolver soluções inovadoras capazes de transformar pesquisas em saúde, reduzir custos de desenvolvimento e ampliar a segurança na avaliação de novos produtos.

Ao investir em modelos laboratoriais cada vez mais sofisticados, a startup contribui para acelerar a inovação científica e fortalecer o papel do Brasil em um mercado global de alta tecnologia.

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