Casas Bahia contrata executiva que atuou na recuperação da Americanas para negociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Camille Faria assume negociações com credores após autorização judicial para processamento da recuperação da varejista. Empresa também enfrenta queda nos estoques e redução do quadro de funcionários.

A Casas Bahia contratou Camille Faria, executiva que liderou a recuperação judicial da Americanas, para conduzir as negociações com credores de uma dívida de R$ 17,3 bilhões. A contratação ocorre após a Justiça de São Paulo autorizar, na quarta-feira (21), o processamento da recuperação judicial da varejista.

Camille ficará responsável pelas negociações com os credores, substituindo Mateus Tessler, que continuará contribuindo pontualmente. A consultoria Alvarez & Marsal permanece na estruturação do plano de recuperação.

A contratação também marca a primeira grande operação da Althia Partners, gestora fundada pela executiva em setembro, especializada na reestruturação de empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão e dívidas acima de R$ 500 milhões.

Mudança tem apoio dos principais acionistas

A escolha de Camille conta com o respaldo do Conselho de Administração da Casas Bahia e da Mapa Capital, que assumiu 85,5% do capital da varejista em agosto de 2025.

A participação foi obtida após a conversão em ações de R$ 1,65 bilhão em debêntures adquiridas do Banco do Brasil e do Bradesco.

Com a mudança, a empresa busca fortalecer as negociações financeiras e avançar na elaboração de uma proposta para reorganizar seu endividamento.

Estoques recuam 40,5% e empresa reduz quadro de funcionários

Um laudo pericial apresentado no processo revelou a dimensão das dificuldades enfrentadas pela Casas Bahia.

Entre abril e agosto, o valor dos estoques caiu 40,5%. No mesmo período, a companhia desligou 4.647 funcionários.

Dos R$ 17,3 bilhões em dívidas em discussão, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a créditos sem garantia real.

A Justiça também determinou que a varejista complemente a documentação do processo no prazo de até 30 dias.

Plano de recuperação ainda precisa ser negociado

A autorização judicial permite o andamento da recuperação judicial, mas não significa que o plano de pagamento das dívidas tenha sido aprovado.

A companhia ainda precisará apresentar sua proposta e negociá-la com os credores, conforme as etapas previstas na legislação.

Camille Faria acumula experiência em processos de reestruturação de grandes empresas. Além da atuação na Americanas, liderou a área financeira da Oi durante sua primeira recuperação judicial.

Segundo a executiva, a Casas Bahia enfrenta dois desafios centrais: reorganizar seu elevado endividamento e recuperar a rentabilidade das operações.

A condução dessas duas frentes será determinante para o avanço do processo de recuperação da varejista.

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