Dólar sobe a R$ 5,05 com fortalecimento global da moeda e expectativa pelo segundo turno

Moeda norte-americana avançou 0,44% nesta quinta-feira (22), em meio à aversão ao risco no exterior e à cautela dos investidores diante da disputa presidencial brasileira.

O dólar à vista registrou alta de 0,44% nesta quinta-feira (22), alcançando R$ 5,050, em uma sessão marcada pelo fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional e pela expectativa dos investidores em relação ao segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.

No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento em novembro avançou 0,53%, chegando a R$ 5,060.

O movimento deu continuidade à valorização observada na quarta-feira (21), quando a moeda encerrou o pregão com alta de 0,18%, cotada a R$ 5,0272.

A combinação de fatores externos e domésticos contribuiu para aumentar a cautela dos agentes financeiros, especialmente diante da proximidade da definição eleitoral.

Dólar ganha força no mercado internacional

No cenário externo, o avanço do índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas relevantes, refletiu o aumento da procura pela moeda norte-americana.

Em períodos de maior aversão ao risco, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros e líquidos, movimento que pode favorecer o dólar.

Essa valorização internacional também exerce pressão sobre moedas de economias emergentes, incluindo o real brasileiro.

A intensidade do impacto depende de outros fatores, como os fluxos de capital, as expectativas para os juros e as condições econômicas de cada país.

Eleições presidenciais aumentam cautela dos investidores

No Brasil, as atenções do mercado financeiro também estavam voltadas à divulgação de uma nova pesquisa Datafolha, prevista para as 19h de quinta-feira.

O levantamento seria divulgado a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais.

Pesquisa Quaest mencionada pelos agentes de mercado apontava um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, com 45% e 44%, respectivamente, dentro da margem de erro.

A proximidade entre os candidatos aumentava a incerteza sobre o resultado eleitoral e sobre os possíveis rumos da política econômica após a votação.

Para o mercado financeiro, a definição da disputa presidencial pode influenciar expectativas relacionadas à condução fiscal, à política econômica e ao ambiente de investimentos.

Entretanto, os movimentos cambiais não dependem exclusivamente do cenário político, sendo também influenciados pelas condições internacionais e pelo comportamento dos fluxos financeiros.

Banco Central realiza operação regular de swap cambial

O Banco Central realizou nesta quinta-feira seu leilão regular de swap cambial, com oferta de 75 mil contratos para 3 de novembro.

A operação faz parte dos instrumentos utilizados pela autoridade monetária no mercado de câmbio.

O swap cambial permite oferecer proteção contra variações do dólar por meio de contratos financeiros, sem envolver necessariamente a entrega física de moeda estrangeira.

No caso desta quinta-feira, a operação foi apresentada como parte da rotina do Banco Central, não havendo indicação, nas informações divulgadas, de uma medida extraordinária de intervenção.

Histórico eleitoral mostra oscilações expressivas

O comportamento do dólar em eleições anteriores ajuda a ilustrar a sensibilidade do mercado cambial a períodos de definição política.

Em 2022, a moeda norte-americana apresentou oscilação superior a 2% no pregão seguinte ao segundo turno presidencial.

Já em 2018, o dólar acumulou queda de quase 3% na semana posterior à definição eleitoral.

Os episódios demonstram que a reação do câmbio pode variar conforme as expectativas dos investidores e a interpretação dos resultados.

Por isso, o histórico não permite antecipar a direção ou a intensidade do movimento da moeda após a votação de 2026.

Mercado acompanha pesquisas e cenário externo

Com a proximidade do segundo turno, os investidores seguem atentos às pesquisas eleitorais, às perspectivas para a política econômica brasileira e ao comportamento do dólar no exterior.

A divulgação do levantamento Datafolha, prevista para a noite de quinta-feira, representava mais um elemento de informação para os agentes financeiros.

Nos próximos pregões, a cotação do dólar poderá continuar refletindo a combinação entre fatores políticos domésticos, condições internacionais de liquidez e percepção de risco.

O resultado da eleição poderá influenciar as expectativas do mercado, mas a trajetória da moeda dependerá também dos fundamentos econômicos e do ambiente financeiro global.

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