Resultado cresce 14,6% em um ano, enquanto rentabilidade recua para 15,6%. Banco melhora eficiência operacional e reforça capital, mas registra aumento das provisões para perdas com crédito.
O Bradesco encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro de R$ 7,1 bilhões, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço anual, o desempenho mostrou sinais de desaceleração na comparação com o segundo trimestre, quando o crescimento foi de apenas 0,8%.
Os resultados refletem um cenário de recuperação gradual da instituição, marcado por avanços no controle de despesas e na estrutura de capital, mas também por uma deterioração dos indicadores de qualidade da carteira de crédito.
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador utilizado para medir a capacidade de geração de lucro em relação ao capital dos acionistas, recuou para 15,6%.
Inadimplência avança em diferentes segmentos
Um dos principais pontos de atenção do balanço foi o aumento da inadimplência, observado em praticamente todas as linhas de crédito.
O índice de operações com pagamentos em atraso há mais de 90 dias passou de 4,3%, em junho, para 4,6% no encerramento de setembro.
Entre pessoas físicas, a inadimplência chegou a 5,8%, evidenciando a pressão sobre a capacidade de pagamento dos consumidores.
O avanço foi ainda mais expressivo no segmento de pequenas e médias empresas, cujo indicador passou de 3,7% para 4,9% em apenas três meses.
O aumento dos atrasos indica maior risco na carteira de crédito e exige atenção à capacidade de recuperação dos valores emprestados.
Provisões para perdas com crédito sobem 24% em um ano
Com a deterioração dos indicadores de inadimplência, o Bradesco ampliou as provisões destinadas a cobrir possíveis perdas com operações de crédito.
Essas despesas cresceram 7% na comparação trimestral e 24% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As provisões representam recursos contabilmente destinados à cobertura de perdas esperadas em empréstimos e financiamentos. Seu aumento pode reduzir o resultado do banco, mesmo quando outras áreas apresentam crescimento.
A evolução desse indicador será importante para avaliar a sustentabilidade da recuperação dos lucros nos próximos trimestres.
Controle de despesas melhora eficiência operacional
Apesar da pressão sobre o crédito, o Bradesco apresentou avanços na gestão de custos.
O banco reduziu despesas e melhorou seu índice de eficiência operacional, que chegou a 45%.
O indicador relaciona as despesas administrativas e operacionais às receitas geradas pela instituição. Quanto menor o percentual, maior tende a ser a eficiência na utilização dos recursos.
O resultado sugere que as medidas de racionalização de custos estão contribuindo para compensar parte das pressões provocadas pelo aumento da inadimplência.
Aumento de capital fortalece estrutura financeira
Outro destaque foi o reforço da base de capital do banco.
Um aumento de capital de R$ 10 bilhões contribuiu para elevar o índice de capital principal de 11,3% para 12,1%.
O indicador representa uma das principais medidas de solidez financeira das instituições bancárias, pois demonstra a capacidade de absorver perdas e sustentar suas operações.
A ampliação dessa reserva fortalece a posição financeira do Bradesco e oferece maior capacidade para administrar riscos e apoiar a expansão das operações de crédito.
CEO aponta potencial de crescimento da carteira
O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, destacou o potencial de expansão dos negócios caso as condições macroeconômicas sejam favoráveis.
Segundo o executivo, a carteira de crédito poderia crescer 20% ao ano em um cenário econômico mais positivo.
A declaração sinaliza a expectativa de que uma melhora das condições econômicas possa estimular a demanda por empréstimos e financiamentos.
Entretanto, a expansão dependerá de fatores como o comportamento dos juros, a atividade econômica, a capacidade de pagamento dos clientes e a evolução dos riscos de crédito.
Recuperação depende da qualidade da carteira
O balanço do terceiro trimestre apresenta sinais distintos.
De um lado, o Bradesco registrou crescimento anual do lucro, redução de despesas, maior eficiência operacional e fortalecimento de sua estrutura de capital.
De outro, o avanço da inadimplência e das provisões demonstra que a recuperação ainda enfrenta desafios importantes.
Nos próximos trimestres, a evolução da qualidade da carteira de crédito será determinante para avaliar se o banco conseguirá sustentar o crescimento dos resultados e recuperar seus níveis de rentabilidade.
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