Moeda norte-americana caiu na segunda-feira (19), enquanto novas pesquisas eleitorais apontaram uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto. Mercado também acompanha projeções de inflação, juros e crescimento econômico.
O dólar registrou queda na segunda-feira (19), chegando à faixa de R$ 5,04, em uma sessão marcada pela divulgação de novas pesquisas eleitorais e pela cautela dos investidores diante da proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
A moeda norte-americana recuou aproximadamente 0,5% frente ao real. O movimento ocorreu após levantamentos dos institutos BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg apontarem uma disputa apertada entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar da vantagem numérica de Flávio nas pesquisas, o comportamento do câmbio indica que as oscilações do mercado não podem ser explicadas apenas pelas intenções de voto. Ajustes de posições financeiras, expectativas sobre o resultado eleitoral e fatores internacionais também influenciam as cotações.
Pesquisas apontam disputa acirrada
Na pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira, Flávio Bolsonaro aparece com 46,5% das intenções de voto totais, enquanto Lula registra 45,9%.
Considerando apenas os votos válidos, os percentuais são de 50,3% para Flávio e 49,7% para Lula. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.
Já o levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostra Flávio com 49,8% dos votos totais, contra 47,6% de Lula. Nos votos válidos, os resultados são de 51,1% e 48,9%, respectivamente.
Nesse levantamento, a diferença supera a margem de erro informada de um ponto percentual, embora o resultado continue indicando uma disputa eleitoral competitiva.
Os números reforçam a importância das pesquisas que ainda serão divulgadas antes da votação de 25 de outubro.
Por que o dólar caiu apesar da incerteza eleitoral?
À primeira vista, a queda do dólar pode parecer contraditória diante de uma eleição tão disputada.
Entretanto, o mercado financeiro não reage apenas à perspectiva de vitória de um candidato. Os preços também refletem posições assumidas anteriormente pelos investidores e mudanças nas expectativas de curto prazo.
Uma das possíveis explicações para o recuo da moeda é o encerramento de operações montadas para proteger carteiras ou apostar em determinados movimentos do câmbio.
O debate presidencial realizado no domingo (18), na Band, não produziu uma mudança claramente identificável no cenário eleitoral. A ausência de uma alteração significativa nas expectativas pode ter contribuído para ajustes nas posições de investidores.
Nesse tipo de operação, a redução da exposição ao dólar pode aumentar temporariamente a oferta da moeda no mercado e favorecer a valorização do real.
Essa interpretação, porém, não significa necessariamente maior confiança na economia brasileira ou preferência do mercado por determinado candidato.
Focus mantém inflação acima do teto da meta
Além do cenário eleitoral, os investidores acompanharam a divulgação do Boletim Focus do Banco Central, que reúne projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
A estimativa para a inflação oficial de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permaneceu em 5,22%.
O percentual está acima do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida de 1,85% para 1,83%, sinalizando expectativas de expansão econômica mais moderada.
Para a taxa Selic, o mercado manteve a previsão de 13,25% ao ano no encerramento de 2026. A taxa básica vigente está em 13,75%.
Já a estimativa para o dólar no fim do ano passou de R$ 5,15 para R$ 5,13.
Semana decisiva pode ampliar volatilidade
Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, a tendência é de maior sensibilidade dos mercados a novas pesquisas, declarações dos candidatos e sinalizações sobre a condução da política econômica.
Entre os principais pontos de atenção estão as propostas fiscais, a trajetória da dívida pública, a política monetária e a composição das futuras equipes econômicas.
O ambiente internacional também continuará influenciando o comportamento do real, especialmente por meio das taxas de juros norte-americanas e dos movimentos globais de busca ou aversão ao risco.
Nesse contexto, a queda do dólar registrada na segunda-feira não representa, isoladamente, uma mudança de tendência.
A definição eleitoral e as perspectivas para a economia brasileira deverão continuar no centro das decisões dos investidores nos próximos dias.
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