JBS é alvo de denúncias em quatro países europeus por suspeitas ligadas ao desmatamento na Amazônia

Organizações apontam possíveis irregularidades financeiras relacionadas à cadeia de fornecedores da companhia. Empresa contesta estudo e afirma monitorar propriedades por satélite desde 2010.

A JBS, maior empresa de processamento de carnes do mundo, é alvo de denúncias apresentadas nesta quinta-feira (5) em quatro países europeus, envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao desmatamento ilegal na Amazônia brasileira.

As acusações foram encaminhadas por organizações integrantes da Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) e têm como base uma investigação encomendada à organização ambiental AidEnvironment.

Segundo o levantamento, a cadeia de fornecedores diretos e indiretos da JBS foi associada a mais de 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia desde 1988. Desse total, aproximadamente 3,4 milhões de hectares estariam relacionados a fornecedores diretos e outros 3,2 milhões a fornecedores indiretos.

Os números representam associações identificadas pelo estudo e não comprovam, isoladamente, que toda a área tenha sido desmatada ilegalmente ou que a empresa tenha cometido lavagem de dinheiro.

Investigação analisou mais de 12 mil fornecedores

Para elaborar o levantamento, a AidEnvironment cruzou registros oficiais de transporte de gado, cadastros de propriedades rurais e dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A análise identificou 12.576 fornecedores diretos e indiretos da JBS nos estados de Mato Grosso, Pará e Tocantins.

A organização também examinou imagens de satélite para verificar o histórico de desmatamento das propriedades relacionadas à cadeia de abastecimento da companhia.

As informações serviram de base para as denúncias encaminhadas às autoridades europeias, que deverão avaliar os elementos apresentados.

JBS contesta levantamento

Procurada pelo Brasil de Fato, a JBS questionou a investigação e afirmou não ter recebido os dados e a metodologia utilizados pela organização ambiental.

“Não podemos nos manifestar sem acesso à metodologia do suposto estudo”, declarou a companhia.

A empresa também informou que monitora seus fornecedores por satélite desde 2010.

Segundo a JBS, seu sistema analisa diariamente mais de 600 mil quilômetros quadrados do território brasileiro e bloqueia automaticamente propriedades com registros de desmatamento ilegal, embargos ambientais, sobreposição com terras indígenas, territórios quilombolas ou unidades de conservação, além de situações relacionadas ao trabalho análogo à escravidão.

As denúncias representam uma nova frente de questionamentos sobre a rastreabilidade da cadeia pecuária e a responsabilidade das empresas do setor em relação ao desmatamento na Amazônia.

Até o momento, as informações apresentadas não indicam conclusão de investigação criminal ou condenação da JBS relacionada às acusações.

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