O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões, crescimento de 17% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O indicador exclui efeitos extraordinários, como recebimento de dividendos, e alcançou R$ 15,6 bilhões no acumulado de 12 meses até março, o maior resultado já registrado pelo banco.
Os números refletem o avanço das operações de crédito e o fortalecimento patrimonial da instituição. Os ativos totais do BNDES somaram R$ 995 bilhões, aproximando o banco da marca histórica de R$ 1 trilhão em ativos.
Crédito acelera em diferentes setores da economia
As aprovações de financiamento atingiram R$ 45,7 bilhões no trimestre, alta de 37% frente ao primeiro trimestre de 2025. Já os desembolsos efetivos chegaram a R$ 36,2 bilhões, crescimento de 44%.
Outro indicador acompanhado pelo mercado, as consultas — que representam demanda futura por crédito — avançaram para R$ 84,4 bilhões, aumento de 65%.
Considerando também operações garantidas pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), o volume total de recursos injetados na economia alcançou R$ 66,5 bilhões.
O crescimento ocorreu em diferentes segmentos:
- Indústria: desembolsos de R$ 8 bilhões (+67%)
- Infraestrutura: R$ 13,4 bilhões (+51%)
- Agropecuária: R$ 9,1 bilhões (+40%)
- Micro, pequenas e médias empresas: aprovações de R$ 29 bilhões (+120%)
O desempenho reforça o papel do banco como financiador de investimentos produtivos e expansão empresarial.
Indicadores financeiros atingem níveis recordes
O patrimônio líquido do BNDES fechou março em R$ 192 bilhões, avanço superior a 47% desde 2022.
Já o Índice de Basileia, indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira absorver riscos, ficou em 24,1%, mais que o dobro do mínimo regulatório exigido pelo Banco Central, atualmente em 10,5%.
Outro destaque foi a inadimplência acima de 90 dias, registrada em apenas 0,046%, muito abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, de 4,33%.
Meta para 2026 depende do cenário de juros
O BNDES pretende encerrar 2026 com aprovações equivalentes a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Especialistas apontam, entretanto, que o desempenho dependerá do comportamento da taxa Selic, já que cerca de dois terços da carteira do banco está vinculada às condições de mercado.
Além disso, o avanço da carteira de participações do banco, que cresceu 27,7% no trimestre, deve continuar sendo acompanhado para avaliar quanto da valorização decorre da alta dos mercados financeiros e quanto resulta da melhora operacional das empresas investidas.
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