O dólar iniciou a semana em queda e era negociado próximo de R$ 5,00 nesta segunda-feira (18), recuando 1,04% após a alta registrada na última sexta-feira (15). O movimento devolve parte da valorização recente da moeda americana, influenciada por fatores políticos e pelo aumento da percepção de risco no mercado doméstico.
O alívio no câmbio ocorre em meio à divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que apresentou retração de 0,7% em março. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e interrompe uma sequência de seis meses consecutivos de crescimento da atividade econômica.
A desaceleração reforça a percepção de que o atual nível da taxa básica de juros, a Selic em 14,5% ao ano, continua produzindo efeitos sobre a economia. Juros elevados tendem a aumentar a atratividade dos investimentos em renda fixa no Brasil, favorecendo a entrada de capital estrangeiro e fortalecendo o real frente ao dólar.
As expectativas do mercado financeiro também seguem apontando para manutenção de juros elevados por mais tempo. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, a projeção mediana para a Selic no encerramento de 2026 subiu para 13,25%, indicando expectativa de cortes mais lentos nos próximos ciclos monetários.
Já a previsão para a inflação medida pelo IPCA avançou para 4,92% em 2026, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, atualmente em 4,5%. O cenário contribui para manter prêmios elevados no mercado de juros.
Cenário internacional segue pressionando
No exterior, investidores acompanham o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Novas declarações do presidente norte-americano Donald Trump elevaram preocupações sobre a estabilidade no Oriente Médio, enquanto o bloqueio do Estreito de Ormuz continua no radar dos mercados globais.
A região é estratégica para o transporte internacional de petróleo e eventuais restrições ao fluxo elevam riscos inflacionários em diferentes economias, influenciando moedas, juros e ativos financeiros.
Bolsa brasileira opera em queda
Apesar do recuo do dólar, o Ibovespa não acompanhou o movimento positivo do câmbio. O principal índice da Bolsa brasileira operava em queda de 0,21%, aos 176 mil pontos, abaixo do fechamento anterior.
Entre os fatores que pressionam o mercado acionário estão os sinais de desaceleração econômica revelados pelo IBC-Br e incertezas ligadas ao ambiente político e ao cenário internacional.
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