A Mombak, gestora especializada em projetos de remoção de carbono por meio da restauração florestal, está estruturando uma nova rodada de expansão que pode mobilizar quase R$ 1 bilhão para investimentos na recuperação de áreas degradadas.
O movimento combina duas frentes de financiamento. A companhia já obteve aprovação de R$ 200 milhões do BNDES, por meio do Fundo Clima, e trabalha na estruturação de seu segundo fundo de investimentos, com meta de captar US$ 150 milhões, aproximadamente R$ 750 milhões pela conversão utilizada pela empresa.
Somadas, as duas operações podem colocar cerca de R$ 950 milhões à disposição da estratégia de expansão da Mombak.
Novo fundo busca US$ 150 milhões
A maior parcela dos novos recursos deverá vir do segundo fundo de investimentos da gestora.
A meta é captar US$ 150 milhões. Segundo Gabriel Haddad, fundador da Mombak, uma primeira captação ocorreu em setembro, embora a empresa não tenha divulgado o montante obtido nem a identidade dos participantes.
De acordo com Haddad, as indicações de interesse dos investidores já superam a meta estabelecida para o fundo. A manifestação de interesse, contudo, não significa necessariamente que todo o capital tenha sido efetivamente captado.
Os recursos deverão ampliar a capacidade da empresa de adquirir ou operar novas áreas destinadas à recuperação de florestas e à geração de créditos de carbono associados à remoção de CO₂ da atmosfera.
BNDES aprova R$ 200 milhões pelo Fundo Clima
Outra fonte de recursos é o Fundo Clima, instrumento operado pelo BNDES para financiar projetos relacionados à transição para uma economia de baixo carbono.
A Mombak teve aprovados R$ 200 milhões na linha de Florestas Nativas e Recursos Hídricos.
O financiamento adiciona capital de longo prazo à estratégia da companhia e ocorre depois de uma primeira etapa na qual a gestora avançou em projetos que abrangem 27 mil hectares na Amazônia, utilizando recursos de seu primeiro fundo e financiamento do banco de desenvolvimento.
Restauração florestal vira ativo econômico
O modelo da Mombak está baseado na recuperação de áreas degradadas com espécies nativas para remover carbono da atmosfera. A captura adicional de CO₂ gerada pelos projetos pode ser convertida em créditos negociados no mercado voluntário de carbono.
Nesse modelo, a floresta restaurada passa a ter também uma dimensão financeira: o investimento inicial em terra, plantio, manutenção e monitoramento busca gerar, ao longo do tempo, ativos ambientais comercializáveis.
A expansão desse mercado está ligada principalmente à procura de empresas por créditos de remoção de carbono para complementar suas estratégias climáticas. A qualidade dos projetos, entretanto, depende de critérios como adicionalidade, permanência da captura, mensuração e monitoramento dos resultados.
Escala passa a ser o próximo desafio
A nova rodada de recursos representa uma mudança de escala para a Mombak.
Depois de avançar sobre 27 mil hectares com seu primeiro fundo e recursos do BNDES, a gestora procura agora ampliar a área sob restauração e sua capacidade de desenvolver novos projetos.
Caso o segundo fundo alcance integralmente os US$ 150 milhões pretendidos, a companhia poderá mobilizar, juntamente com os R$ 200 milhões aprovados pelo BNDES, aproximadamente R$ 950 milhões em novas operações.
O volume sinaliza também uma transformação em curso no financiamento da restauração ambiental: projetos florestais passam a disputar capital institucional e linhas de crédito de longo prazo não apenas pelo valor ambiental das áreas recuperadas, mas pela possibilidade de transformar a remoção de carbono em uma fonte de receita.
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