O mercado financeiro passou a projetar a taxa Selic em 13,50% ao ano no encerramento de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (21). Na semana anterior, a mediana das estimativas apontava para juros de 13,75% ao ano.
A revisão de 0,25 ponto percentual ocorreu depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir, na quarta-feira (16), a taxa básica de juros também em 0,25 ponto, levando a Selic para os atuais 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo promovido pelo colegiado.
Com a nova projeção, a mediana do Focus passou a incorporar a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Para 2027, a estimativa permanece em 12% ao ano.
Copom mantém cautela sobre próximos passos
Na decisão da semana passada, o Banco Central evitou antecipar qual será o próximo movimento da política monetária.
O Copom afirmou que o cenário de incerteza exige “serenidade e cautela” e indicou que a magnitude total do ciclo de redução dos juros dependerá da evolução dos dados e das perspectivas para a inflação.
A reunião de setembro foi a última do Copom antes das eleições presidenciais de outubro. A próxima decisão sobre a Selic ocorrerá em novembro.
Inflação projetada sobe para 4,92%
Enquanto a expectativa para os juros recuou, a projeção para a inflação apresentou movimento na direção contrária.
A mediana das estimativas para o IPCA de 2026 passou de 4,90% para 4,92%. Para 2027, a previsão permaneceu em 4,30%.
A meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, a projeção de 4,92% continua acima do limite superior de 4,5%.
Esse quadro ajuda a explicar a postura cautelosa do Copom: embora o mercado espere continuidade do ciclo de redução dos juros, as expectativas de inflação permanecem elevadas.
Mercado reduz também expectativa para o PIB
As projeções para o crescimento da economia brasileira também sofreram pequenas revisões negativas.
Para 2026, a expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,89% para 1,88%. Para 2027, passou de 1,45% para 1,43%.
A combinação entre crescimento mais moderado e inflação ainda acima da meta coloca o Banco Central diante de um cenário que exige equilíbrio entre a continuidade do processo de redução dos juros e o controle das pressões inflacionárias.
Dólar permanece em R$ 5,20 para 2026
No câmbio, não houve alteração nas principais projeções.
O mercado continua estimando o dólar em R$ 5,20 no encerramento de 2026 e R$ 5,28 no fim de 2027.
O quadro do Focus desta semana ficou assim: Selic de 13,50%, inflação de 4,92%, crescimento do PIB de 1,88% e dólar a R$ 5,20 no encerramento de 2026. Para 2027, as medianas apontam juros de 12%, inflação de 4,30%, expansão econômica de 1,43% e dólar a R$ 5,28.
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