A startup brasileira de inteligência artificial WideLabs iniciou uma rodada Série A de US$ 50 milhões com o objetivo de acelerar a expansão internacional do AmazônIA, modelo de linguagem desenvolvido no Brasil e voltado à realidade linguística e regulatória latino-americana.
Os recursos da captação deverão ser destinados à ampliação da operação internacional, fortalecimento da infraestrutura tecnológica e evolução dos sistemas de inteligência artificial da empresa.
A movimentação ocorre em meio à crescente disputa global por modelos regionais de IA capazes de competir com plataformas desenvolvidas por grandes empresas internacionais.
Modelo foi treinado em português brasileiro
A WideLabs ganhou visibilidade em 2024 após apresentar o AmazônIA, descrito pela empresa como um dos primeiros grandes modelos de linguagem treinados especificamente em português brasileiro.
O projeto foi desenvolvido utilizando infraestrutura da Oracle Cloud e GPUs Nvidia H100 instaladas em data centers no Brasil.
Segundo a companhia, o diferencial está na adaptação dos modelos às características culturais, regulatórias e linguísticas da América Latina.
Atualmente, a startup possui operações formais no Chile e em El Salvador, mas afirma avaliar novas expansões internacionais, incluindo mercados fora da região.
IA soberana e foco em governos
O CEO da empresa, Nelson Leoni, define a WideLabs como uma “fábrica de IA soberana”, conceito associado ao desenvolvimento de inteligência artificial com infraestrutura local, maior controle sobre dados e adaptação às necessidades regionais.
De acordo com o executivo, a companhia mantém conversas com lideranças latino-americanas sobre aplicação de IA em setores estratégicos e operações críticas, especialmente em temas ligados a:
- segurança;
- governança;
- rastreabilidade;
- infraestrutura tecnológica local;
- digitalização de governos.
Participação em ecossistema global de IA
Em março de 2026, Nelson Leoni participou da GTC 2026, conferência internacional promovida pela Nvidia e considerada uma das principais do setor de inteligência artificial.
Segundo a empresa, a WideLabs foi citada pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante apresentação ligada à Coalizão Nemotron, iniciativa voltada ao ecossistema global de IA da companhia.
Além da Nvidia e Oracle, a startup afirma manter parcerias com empresas como AWS, Positivo, Supermicro e Ascenty, além de colaborações acadêmicas com instituições como FGV e UFRGS.
Disputa por modelos regionais ganha força
A expansão da WideLabs ocorre em um cenário de crescimento acelerado da inteligência artificial generativa e de maior interesse por modelos desenvolvidos para idiomas e contextos específicos.
Analistas apontam que soluções regionais podem ganhar relevância em áreas sensíveis, especialmente onde legislação, idioma e soberania de dados são fatores estratégicos.
A rodada Série A segue em processo de captação.
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