O dólar voltou a ganhar força diante do real na terça-feira (18), em um cenário marcado pela tensão entre Estados Unidos e Irã, restrições no Estreito de Ormuz e mudanças nas expectativas para os juros americanos.
Nas primeiras horas de negociação, o dólar à vista era cotado a R$ 5,208, com valorização de 0,13%. Ao longo do pregão, a pressão aumentou: a moeda encerrou o dia próxima de R$ 5,22.
No mercado futuro, o contrato de dólar para setembro, o mais negociado na B3, também operava em alta. O movimento refletia principalmente a maior aversão ao risco internacional.
Estreito de Ormuz pressiona mercados
No centro das preocupações está o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio internacional de petróleo. Cerca de 20% do petróleo transportado globalmente por via marítima passa pela região, e as restrições ao tráfego provocadas pelo conflito aumentaram as preocupações com a oferta mundial de energia.
A consequência tem sido a manutenção dos preços do petróleo em patamares elevados e uma busca maior por ativos considerados seguros.
O índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta de importantes moedas internacionais, chegou a aproximadamente 99,62 pontos.
A valorização, entretanto, ocorre em uma situação incomum: o dólar recebe suporte da aversão ao risco ao mesmo tempo em que indicadores mais fracos da economia americana reduzem as expectativas de novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve (Fed).
Mercado reduz apostas em alta dos juros
Dados mais fracos do mercado de trabalho americano alteraram significativamente as expectativas dos investidores.
A probabilidade atribuída pelo mercado a uma elevação dos juros na reunião de setembro do Fed caiu de 52,2% para cerca de 35% em uma semana.
Uma pesquisa da Reuters realizada entre 12 e 17 de agosto mostrou ainda que a maioria dos economistas consultados esperava manutenção dos juros americanos no intervalo de 3,50% a 3,75% até o fim de 2026.
Forma-se, assim, uma disputa entre duas forças: de um lado, juros americanos potencialmente menos elevados favorecem moedas de países emergentes; de outro, o conflito no Oriente Médio, a alta do petróleo e a busca por segurança aumentam a demanda pelo dólar.
Impactos diferentes para empresas brasileiras
Para a economia brasileira, a permanência do dólar em níveis elevados produz efeitos distintos.
Empresas dependentes de insumos, máquinas ou produtos importados tendem a enfrentar aumento de custos. Uma eventual persistência da valorização cambial também pode exercer pressão sobre a inflação doméstica.
Já companhias exportadoras e setores ligados a commodities podem encontrar um cenário mais favorável, especialmente quando recebem receitas em dólares. Empresas relacionadas à cadeia de petróleo também podem se beneficiar da valorização internacional da commodity.
Nesse ambiente, o diferencial entre os juros brasileiros e americanos continua sendo um dos principais fatores de sustentação do real. Quanto mais elevados os juros domésticos em relação aos dos Estados Unidos, maior tende a ser, em condições normais de mercado, a atratividade dos ativos brasileiros para investidores internacionais.
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