A farmacêutica Moderna registrou a maior valorização de suas ações desde que abriu capital após divulgar resultados positivos de sua vacina personalizada de mRNA contra o melanoma, considerado o tipo mais letal de câncer de pele.
Na quarta-feira, os papéis chegaram a avançar 158% durante o pregão, atingindo US$ 161,32. Com a disparada, o valor de mercado da companhia alcançou aproximadamente US$ 49 bilhões, mais que o dobro do registrado no dia anterior. A Merck, parceira da Moderna no desenvolvimento do tratamento, também reagiu positivamente, com alta de 12%.
O movimento do mercado reflete as expectativas em torno do intismeran, tratamento que combina a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) da Moderna com o Keytruda, medicamento da Merck já utilizado no tratamento do melanoma.
Vacina é personalizada para cada paciente
A estratégia representa uma aplicação da tecnologia de mRNA diferente daquela que tornou a Moderna mundialmente conhecida durante a pandemia de Covid-19.
No tratamento contra o câncer, a vacina é desenvolvida para estimular o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor do paciente. Associada à imunoterapia com Keytruda, a abordagem busca reduzir a possibilidade de retorno da doença após o tratamento.
O estudo envolve 1.137 pacientes considerados de alto risco e apresentou redução do risco de recorrência do câncer.
Dados anteriores, divulgados em janeiro, já haviam indicado uma redução de 49% no risco de recorrência ou morte após cinco anos entre pacientes submetidos à combinação terapêutica.
Apesar da reação expressiva dos investidores, o estudo permanece em andamento e os resultados disponíveis ainda são preliminares.
Tratamento pode ser decisivo para futuro da Moderna
O avanço do intismeran também chega em um momento particularmente importante para a farmacêutica.
Depois do crescimento extraordinário provocado pelas vacinas contra a Covid-19, a Moderna enfrentou uma forte redução de receitas. O faturamento caiu de US$ 19,3 bilhões em 2022 para US$ 1,94 bilhão em 2025, retração de aproximadamente 90%.
Nesse contexto, o desenvolvimento de novas aplicações comerciais para sua plataforma de mRNA tornou-se fundamental para reduzir a dependência das vacinas contra doenças respiratórias.
Analistas do J.P. Morgan consideram o intismeran uma peça importante para que a companhia consiga recuperar sua rentabilidade.
A expectativa é que o tratamento possa chegar ao mercado em 2027. Antes disso, porém, os estudos precisarão avançar e confirmar os benefícios observados até agora.
Leia mais:
Lei destina R$ 305 milhões para ações emergenciais contra desastres naturais no Brasil.





