Possível El Niño intenso eleva alerta para agro brasileiro e pode impactar produção de grãos, café e pecuária

A possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade volta a acender o alerta no agronegócio brasileiro. Segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno poderá figurar entre os mais intensos desde o início das medições, em 1950, aumentando os riscos para a produção agrícola e pecuária em diferentes regiões do país.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera significativamente o regime de chuvas em diversas partes do mundo. No Brasil, seus efeitos costumam provocar aumento das precipitações nas regiões Sul e parte do Centro-Sul, enquanto reduzem as chuvas no Norte, Nordeste e áreas do Centro-Oeste, ampliando os desafios para produtores rurais.

Alterações climáticas preocupam o campo

Na prática, o fenômeno pode resultar em uma combinação de extremos climáticos, com excesso de chuvas em algumas regiões e estiagens prolongadas em outras.

Esse cenário aumenta o risco de atrasos no calendário agrícola, perda de produtividade, elevação dos custos de produção e redução da qualidade das lavouras, exigindo maior planejamento por parte dos produtores.

Especialistas destacam que o comportamento das chuvas durante os próximos meses será determinante para o desempenho da safra 2026/2027.

Soja e milho estão entre as culturas mais vulneráveis

Entre as culturas mais sensíveis às alterações climáticas estão a soja e o milho.

Caso as chuvas atrasem ou ocorram de forma irregular no início da temporada de plantio, muitos produtores poderão ser obrigados a realizar o replantio de áreas inteiras, repetindo uma situação registrada em 2024, quando aproximadamente 2,9 milhões de hectares de soja precisaram ser replantados em razão de problemas climáticos.

Além do impacto direto sobre a oleaginosa, atrasos na semeadura da soja comprometem a chamada janela ideal de cultivo para o milho de segunda safra e para o algodão, reduzindo o potencial produtivo dessas culturas.

Café também pode sofrer impactos

O setor cafeeiro acompanha com atenção o desenvolvimento do fenômeno.

A principal preocupação está relacionada ao período da florada, fase essencial para a formação da próxima safra.

Chuvas fora de época, temperaturas elevadas e irregularidade hídrica podem comprometer o florescimento das plantas, reduzir a produtividade e dificultar a recuperação dos estoques de café, influenciando também os preços no mercado.

Pecuária entra no radar

Os efeitos do El Niño não se limitam à agricultura.

Na pecuária, ondas de calor podem reduzir o conforto térmico dos animais, afetando ganho de peso, fertilidade e produtividade.

Ao mesmo tempo, eventuais perdas nas lavouras de soja e milho tendem a elevar os custos da alimentação animal, impactando diretamente os segmentos de aves, suínos e bovinos.

Na produção leiteira, especialistas apontam que o excesso de chuvas no Sul e a estiagem em regiões do Sudeste e Nordeste podem comprometer a disponibilidade de pastagens e reduzir a produção.

Impactos variam conforme a região

Os efeitos do fenômeno deverão ocorrer de forma desigual pelo território nacional.

No Norte, na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e em partes do Centro-Oeste, há maior risco de seca, temperaturas elevadas, queimadas e perdas agrícolas.

Já a região Sul poderá enfrentar chuvas acima da média, aumentando a possibilidade de enchentes, encharcamento do solo e maior incidência de doenças fúngicas nas lavouras.

Planejamento climático ganha importância

Diante de um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos, especialistas reforçam a necessidade de investimentos em planejamento climático, tecnologia, manejo sustentável, conservação do solo, irrigação eficiente, seguro rural e gestão de riscos.

A adaptação às mudanças do clima vem se tornando um fator estratégico para garantir a competitividade do agronegócio brasileiro.

Em um país onde produção agrícola, segurança alimentar e economia caminham lado a lado, acompanhar os sinais climáticos e investir em resiliência pode fazer a diferença entre uma safra bem-sucedida e prejuízos significativos.

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