A soja brasileira registrou, nesta terça-feira (7), a maior cotação de 2026, refletindo um cenário internacional marcado por preocupações climáticas nos Estados Unidos e pela disputa entre os principais exportadores pelo mercado chinês. No Porto de Paranaguá (PR), referência para as exportações nacionais da commodity, a saca de 60 quilos foi negociada a R$ 139,71, o maior valor do ano.
O movimento reforça o bom momento da oleaginosa no mercado internacional e evidencia como fatores climáticos, cambiais e comerciais continuam determinando a formação dos preços.
Bolsa de Chicago, dólar e prêmios formam o preço
Segundo especialistas do setor, o preço recebido pelo produtor brasileiro resulta da combinação de três fatores principais:
- a cotação dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT);
- os prêmios pagos nos portos brasileiros;
- o comportamento do dólar frente ao real.
De acordo com Yedda Monteiro, analista da Biond Agro, a valorização da soja na Bolsa de Chicago compensou a redução dos prêmios de exportação, mesmo com a moeda norte-americana sendo negociada em torno de R$ 5,15.
Essa combinação permitiu que a commodity atingisse sua maior cotação do ano no mercado brasileiro.
Clima nos Estados Unidos movimenta o mercado
O principal fator por trás da valorização internacional é o chamado “mercado de clima”, período em que as condições meteorológicas passam a exercer forte influência sobre as expectativas de produtividade das lavouras norte-americanas.
As previsões de temperaturas elevadas e seca em parte do cinturão agrícola dos Estados Unidos aumentaram as preocupações com a safra de soja e milho, impulsionando as cotações na Bolsa de Chicago.
Segundo Ana Luiza Lodi, especialista da StoneX, embora o balanço global de oferta de soja permaneça confortável, a produtividade das lavouras americanas será determinante para a evolução dos preços ao longo das próximas semanas.
“O comportamento do clima nos Estados Unidos continuará sendo o principal fator de formação das cotações internacionais durante este período”, avalia a especialista.
China segue como principal influência
Outro fator relevante é o comportamento da demanda da China, maior importadora mundial de soja.
Dentro dos compromissos comerciais firmados com os Estados Unidos, o país asiático iniciou novas compras da produção norte-americana.
Nesta semana, a estatal chinesa Cofco adquiriu aproximadamente 300 mil toneladas de soja dos Estados Unidos para embarques previstos entre setembro e novembro.
O acordo integra o compromisso de aquisição anual de cerca de 25 milhões de toneladas de soja norte-americana.
Brasil permanece competitivo
Mesmo com o aumento das compras da China nos Estados Unidos, especialistas avaliam que o Brasil continuará desempenhando papel estratégico no abastecimento do mercado internacional.
A safra recorde brasileira garante ampla disponibilidade do produto, mantendo o país competitivo nas exportações durante o segundo semestre.
Para Yedda Monteiro, o Brasil deverá continuar participando de forma significativa das importações chinesas, ainda que em um ambiente de preços mais elevados.
Prêmios podem sofrer pressão
A intensificação das compras chinesas de soja norte-americana poderá reduzir parte da demanda pelos embarques brasileiros, pressionando os chamados prêmios de exportação nos portos nacionais.
Por outro lado, eventuais problemas climáticos que comprometam a produtividade das lavouras dos Estados Unidos poderão elevar novamente as cotações em Chicago, sustentando preços elevados também para a soja brasileira.
Mercado acompanha cenário climático
Nas próximas semanas, produtores, tradings e investidores acompanharão atentamente a evolução do clima nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
A definição da produtividade da safra norte-americana deverá influenciar diretamente o comportamento dos preços internacionais e, consequentemente, os valores pagos aos produtores brasileiros, que seguem beneficiados pela competitividade da safra recorde colhida no país.
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