A possibilidade da formação de um Super El Niño nos próximos meses já acende um alerta no mercado global de commodities agrícolas, especialmente para a cadeia produtiva do cacau. O fenômeno climático pode provocar secas severas no oeste da África, região responsável por aproximadamente 70% da produção mundial da matéria-prima utilizada na fabricação de chocolates.
A preocupação ocorre em um momento de forte valorização do cacau nos mercados internacionais. Somente em maio, a commodity acumulou alta superior a 21% na Bolsa de Nova York, refletindo as incertezas em relação à oferta global.
Especialistas alertam que a intensificação do El Niño pode aumentar a incidência dos ventos quentes e secos provenientes do deserto do Saara, reduzindo o volume de chuvas em importantes países produtores, como Costa do Marfim e Gana. O cenário pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e afetar diretamente a produtividade da safra.
Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 79% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre os meses de junho e agosto. Diante desse cenário, consultorias internacionais já revisaram para baixo suas estimativas de oferta global de cacau.
O temor do mercado é reviver a situação registrada na safra 2023/2024, quando eventos climáticos adversos contribuíram para um déficit global próximo de 500 mil toneladas da commodity, impulsionando os preços a níveis recordes.
Além de impactar a indústria de chocolates, a redução da oferta pode provocar reflexos em toda a cadeia de alimentos e bebidas que utilizam derivados do cacau, elevando custos para fabricantes e consumidores em diversos mercados.
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