Nordeste lidera expansão da agricultura orgânica enquanto setor passa por reconfiguração no Brasil

O Nordeste brasileiro foi a região que mais avançou na agricultura orgânica em 2026, mesmo diante da primeira retração registrada no número total de produtores orgânicos do país. Dados do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, analisados pelo Observatório do Brasil Orgânico (IBO), mostram que o Brasil encerrou o ano com 23.728 unidades de produção certificadas, ante 25.178 registradas em 2025, uma redução de 5,7%.

Segundo o presidente do IBO, Rogério Dias, a queda não representa um enfraquecimento do setor, mas uma reorganização dos registros, principalmente em cadeias extrativistas da Região Norte. A saída de grandes grupos certificados coletivamente no Pará e no Maranhão respondeu por mais de 1.800 registros a menos no levantamento.

“Não estamos diante de uma crise. O que ocorreu foi um movimento concentrado em cadeias extrativistas organizadas em certificações coletivas”, explicou Rogério Dias.

Na contramão da tendência nacional, o Nordeste registrou crescimento expressivo. A Paraíba liderou a expansão com 246 novas unidades de produção orgânica, seguida pela Bahia, com 209 novos registros, Rio Grande do Norte, com 169, e Pernambuco, com 137.

O avanço regional foi impulsionado pela expansão do cultivo de algodão orgânico, pela diversificação da produção agrícola e pelo fortalecimento de redes de comercialização e certificação participativa, como a Povos da Mata, na Bahia.

Apesar do crescimento nordestino, a Região Sul continua concentrando o maior número absoluto de produtores orgânicos do país. O Paraná lidera o ranking nacional com 4.292 unidades certificadas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 3.158. A Bahia aparece na terceira posição nacional, com 1.895 registros, à frente de São Paulo, com 1.632, e do Pará, com 1.512.

O levantamento também aponta uma mudança importante no modelo de certificação. Pela primeira vez, os Sistemas Participativos de Garantia (SPG) superaram a certificação por auditoria, totalizando 9.788 unidades produtivas, contra 8.855 registradas pelo modelo tradicional.

Para especialistas do setor, os dados demonstram uma nova configuração territorial da agricultura orgânica brasileira, marcada pelo fortalecimento de redes locais de produção, certificação e comercialização, especialmente em regiões que vêm ampliando investimentos em práticas sustentáveis e agroecológicas.

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