Com potencial para alcançar um mercado de aproximadamente 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de cerca de US$ 22 trilhões, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi tema de debate entre representantes da indústria, especialistas em comércio exterior e lideranças empresariais durante seminário promovido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).
Concluído politicamente no final de 2024 e formalmente assinado em janeiro de 2025, o tratado encerrou mais de 25 anos de negociações iniciadas em 1999 e é considerado um dos mais relevantes acordos comerciais já firmados pelo Brasil.
Na abertura do evento, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, destacou a importância estratégica da ampliação de mercados em um cenário internacional marcado pelo aumento das tensões comerciais e pelo avanço de medidas protecionistas.
“Estamos vendo a volta das discussões sobre tarifas em diversas economias e, certamente, uma das medidas mais importantes para quem exporta ou importa é encontrar novos mercados. Temos aqui uma oportunidade de compreender como tornar esse mercado mais ativo e construir relações que potencializem os negócios e o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.
Benefícios para a indústria
A gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri, destacou que o acordo vai além da redução tarifária e cria condições para uma integração econômica mais ampla entre os dois blocos.
Segundo ela, os produtos europeus terão redução gradual das tarifas de importação no Brasil em períodos que variam entre dez e quinze anos, enquanto diversos produtos brasileiros terão acesso facilitado ao mercado europeu desde o início da implementação do tratado.
“O acordo traz oportunidades imediatas para exportadores brasileiros, além de medidas voltadas à promoção de investimentos, comércio de serviços, cooperação regulatória e facilitação de negócios”, explicou.
Sustentabilidade será fator decisivo
Durante os debates, especialistas ressaltaram que as oportunidades comerciais estarão diretamente ligadas à capacidade das empresas de atender às exigências ambientais e de rastreabilidade da União Europeia.
O superintendente da FIEB, Vladson Menezes, alertou que setores relevantes para a economia baiana, como celulose, soja, derivados agrícolas e mineração, precisarão avançar em certificações e mecanismos de conformidade.
“A União Europeia facilita o comércio, mas não flexibiliza suas exigências ambientais. Precisamos avançar em certificações, rastreabilidade e conformidade para aproveitar plenamente as oportunidades que serão abertas”, afirmou.
Transição energética pode atrair investimentos
Outro tema em destaque foi o potencial da Bahia para atrair investimentos ligados à economia verde e à transição energética.
O diretor-presidente da Bahiainveste, Paulo Guimarães, destacou que o estado reúne vantagens competitivas importantes, como a liderança nacional em geração de energia eólica e solar e a presença consolidada de empresas europeias.
“A Europa possui tecnologia e o Brasil dispõe de recursos naturais abundantes. Hoje já existe uma visão compartilhada de que a agregação de valor deve ocorrer localmente, gerando desenvolvimento industrial e exportação de produtos de maior valor agregado”, avaliou.
Oportunidades para exportações
Segundo levantamento apresentado durante o seminário, o acordo poderá criar 543 oportunidades de exportação para produtos brasileiros com redução tarifária imediata.
Entre os setores com maior potencial de crescimento estão:
- Máquinas e equipamentos;
- Produtos manufaturados;
- Químicos;
- Alimentos processados;
- Agronegócio.
No setor agropecuário, o tratado prevê redução ou eliminação gradual de tarifas para diversos produtos, além da criação de cotas preferenciais para itens como carnes, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça.
Para especialistas, o acordo representa um marco na integração econômica entre Mercosul e União Europeia e poderá ampliar a competitividade das empresas brasileiras, estimular investimentos estrangeiros e fortalecer a diversificação das exportações nos próximos anos.
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