Housi compra participação em rede com 650 minimercados e projeta faturamento de R$ 780 milhões em 2026

A Housi anunciou a aquisição de uma participação na Honest Market Brasil, rede de minimercados autônomos com mais de 650 pontos instalados em 20 estados. A operação, divulgada em 2 de outubro, amplia a presença da companhia no mercado de serviços oferecidos dentro de condomínios residenciais.

O valor investido e o percentual adquirido pela Housi não foram informados.

Segundo os dados divulgados pelas empresas, a Honest Market alcança aproximadamente 400 mil moradores. A Housi afirma possuir uma base de dimensão semelhante e estima que a aproximação das operações forme um ecossistema capaz de alcançar cerca de 800 mil pessoas.

O negócio acrescenta à plataforma da Housi uma rede física já instalada em centenas de condomínios e reforça uma estratégia que vem levando a companhia para além de sua atividade original de gestão e locação de imóveis.

De apartamentos para um ecossistema de serviços

Criada em 2019 a partir da Vitacon, a Housi surgiu com uma proposta associada à gestão e locação de apartamentos.

Desde então, a companhia ampliou seu modelo para incorporar serviços utilizados pelos moradores no cotidiano, incluindo lavanderia, manutenção, conectividade, mobilidade e bem-estar.

A entrada na Honest Market acrescenta o consumo de produtos de conveniência a esse ecossistema.

Alexandre Frankel, fundador e CEO da Housi, costuma definir essa estratégia como oferecer conveniência a “um elevador de distância” do consumidor.

Na prática, a ideia é transformar o próprio edifício em um ponto de acesso a diferentes produtos e serviços, reduzindo a necessidade de deslocamento do morador.

Minimercados funcionam sem atendentes

O modelo dos minimercados autônomos ganhou espaço principalmente dentro de condomínios residenciais.

Em vez de uma loja tradicional, com funcionários e caixas, são instalados pequenos pontos de venda nos quais o próprio consumidor seleciona os produtos e realiza o pagamento.

A ausência de uma estrutura convencional de atendimento ajuda a viabilizar operações em áreas menores e próximas ao consumidor.

Para a Housi, a participação na Honest acrescenta uma infraestrutura que já possui capilaridade dentro dos condomínios — justamente o ambiente em que a empresa pretende ampliar sua oferta de serviços.

Empresa projeta faturamento de R$ 780 milhões

A Housi informou ter registrado R$ 600 milhões em faturamento em 2025 e projeta crescimento de 30% em 2026.

Caso a projeção seja alcançada, a receita chegará a aproximadamente R$ 780 milhões neste ano.

O valor resulta diretamente da estimativa divulgada pela empresa: um crescimento de 30% sobre R$ 600 milhões representa acréscimo de cerca de R$ 180 milhões em um ano.

A meta indica que a companhia pretende crescer não apenas com a administração de unidades residenciais, mas também com a expansão dos serviços conectados à sua plataforma.

Condomínio passa a ser também canal de consumo

A operação chama atenção para uma transformação no próprio modelo de negócios do mercado imobiliário.

Tradicionalmente, grande parte da geração de receita do setor estava concentrada na construção, venda, locação ou administração dos imóveis.

A expansão de plataformas como a Housi adiciona outra possibilidade: continuar gerando relacionamento e negócios depois que o morador já está dentro do edifício.

Nesse modelo, o imóvel deixa de representar apenas o produto final e passa também a funcionar como ponto de acesso a um conjunto de serviços.

Lavanderia, manutenção, alimentação, mobilidade, conectividade, bem-estar e agora minimercados podem formar uma camada adicional de consumo associada à moradia.

Base de moradores pode ganhar valor estratégico

A aproximação entre Housi e Honest Market também coloca em evidência outro ativo: a base de consumidores.

Somadas, as duas operações estimam alcançar aproximadamente 800 mil pessoas, embora esse número represente a combinação das bases informadas pelas empresas e não necessariamente 800 mil consumidores únicos ou ativos.

Quanto maior a presença dentro dos condomínios, maior pode ser a possibilidade de oferecer novos serviços, estabelecer parcerias e compreender padrões de consumo.

O desafio estará em transformar essa escala potencial em utilização efetiva.

Ter um serviço disponível no condomínio não significa automaticamente que todos os moradores irão utilizá-lo. Frequência de compra, tíquete médio, localização dos pontos, variedade de produtos e conveniência serão determinantes para o desempenho do modelo.

A disputa passa a ser pelo cotidiano do morador

A aquisição de participação na Honest Market mostra como a competição no mercado residencial começa a ultrapassar atributos tradicionais como localização, metragem, áreas comuns e preço.

Empresas que permanecem conectadas ao imóvel depois da entrega ou da locação passam a disputar também o relacionamento cotidiano com quem mora nele.

É uma mudança importante na lógica econômica.

Em vez de uma relação que termina na venda ou se limita ao aluguel e à administração, o morador pode continuar gerando diferentes oportunidades de receita ao longo do tempo.

Para a Housi, a entrada em uma rede com mais de 650 minimercados amplia justamente essa possibilidade.

O movimento transforma o condomínio em algo além de um lugar para morar: ele passa a funcionar também como plataforma de distribuição de produtos e serviços.

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