A Inteligência Artificial (IA) já aparece como uma das tecnologias consideradas mais importantes pelos brasileiros que estão nos primeiros anos de uma atividade empresarial. Dados divulgados pelo Sebrae mostram que 74% dos empreendedores com até 3,5 anos de atuação acreditam que a IA será decisiva para a inovação de produtos e serviços.
A percepção também é elevada quando o assunto é relacionamento com os consumidores. Entre os entrevistados, 73% esperam que a tecnologia proporcione avanços significativos na personalização do atendimento ao cliente.
Os dados fazem parte da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2024/2025), realizada no Brasil por meio de parceria entre o Sebrae e a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe).
O levantamento ouviu 2.350 pessoas, entre 18 e 64 anos, no ano passado.
IA passa a ocupar posição estratégica
Os números indicam uma mudança na maneira como parte dos empreendedores percebe a transformação digital.
A utilização de ferramentas digitais por pequenos negócios durante muito tempo esteve concentrada principalmente na criação de canais para divulgação, relacionamento e vendas. Agora, a Inteligência Artificial começa a ser percebida também como instrumento capaz de interferir diretamente na maneira como produtos e serviços são desenvolvidos e oferecidos.
Na pesquisa, a importância atribuída à IA supera a prioridade dada a canais tradicionais de comércio eletrônico e sites próprios, mencionados por 35% dos entrevistados.
A comparação, porém, não significa necessariamente que sites e e-commerce estejam perdendo relevância. As tecnologias cumprem funções diferentes: enquanto esses canais funcionam principalmente como estruturas de presença e comercialização digital, a IA pode ser incorporada a diferentes etapas de um negócio.
Ela pode apoiar desde atendimento e criação de conteúdo até análise de informações, planejamento, automação de tarefas e desenvolvimento de ofertas mais personalizadas.
WhatsApp está presente em 94% dos negócios
Se a Inteligência Artificial aparece como uma aposta para inovação, ferramentas já consolidadas continuam dominando a rotina dos empreendedores brasileiros.
Segundo os dados apresentados, o WhatsApp é utilizado por 94% dos empreendedores, enquanto 75% recorrem às mídias sociais.
Os números mostram como ferramentas de comunicação de baixo custo e fácil utilização permanecem centrais na digitalização dos pequenos negócios.
Para micro e pequenos empreendedores, especialmente aqueles que não possuem estrutura própria de tecnologia, WhatsApp e redes sociais permitem concentrar divulgação, relacionamento, atendimento e, em muitos casos, vendas.
Essa realidade ajuda também a explicar por que a IA pode avançar rapidamente nesse segmento: cada vez mais, recursos baseados em inteligência artificial estão sendo incorporados às próprias plataformas que os empreendedores já utilizam.
Personalização é uma das principais expectativas
Outro dado relevante é que 73% dos empreendedores em estágio inicial acreditam que a Inteligência Artificial poderá proporcionar avanços na personalização do atendimento.
Essa expectativa está relacionada a uma das aplicações mais visíveis da tecnologia para pequenos negócios.
Ferramentas de IA podem auxiliar na organização de contatos, produção de respostas, criação de ofertas, segmentação de clientes e análise de históricos de relacionamento.
Para uma pequena empresa, isso pode significar a possibilidade de realizar determinadas atividades que anteriormente exigiriam equipes maiores ou sistemas mais complexos.
Mas existe uma diferença importante entre ter acesso à IA e conseguir transformá-la em produtividade ou resultado financeiro.
A tecnologia, isoladamente, não substitui conhecimento sobre o cliente, qualidade do produto, posicionamento, gestão financeira ou estratégia comercial.
Barreira de entrada para tecnologia diminui
Um dos efeitos mais importantes da atual geração de ferramentas de Inteligência Artificial está justamente na redução da barreira de acesso à tecnologia.
Durante muito tempo, automação, análise avançada de dados e sistemas inteligentes estiveram associados principalmente a grandes empresas, capazes de investir em infraestrutura, softwares e equipes especializadas.
A expansão de ferramentas de IA generativa baseadas em interfaces simples modifica parte desse cenário.
Hoje, um empreendedor individual pode utilizar sistemas desse tipo para elaborar uma proposta comercial, estruturar uma campanha de marketing, analisar uma planilha, produzir descrições de produtos, organizar informações ou criar alternativas para o atendimento ao consumidor.
Isso não elimina a diferença de capacidade tecnológica entre uma pequena empresa e uma grande corporação, mas amplia o conjunto de ferramentas disponível para negócios de menor porte.
Próximo desafio será transformar interesse em produtividade
Os resultados da GEM revelam uma expectativa elevada em relação à Inteligência Artificial. O passo seguinte será verificar em que medida essa percepção se converterá em adoção efetiva e, principalmente, em ganhos mensuráveis para os negócios.
Existe uma diferença entre experimentar uma ferramenta de IA, incorporá-la a um processo e obter retorno econômico com sua utilização.
Para pequenos negócios, o potencial pode estar justamente em aplicações simples e diretamente relacionadas a problemas cotidianos: reduzir tempo gasto em tarefas administrativas, melhorar o atendimento, produzir materiais comerciais, organizar informações e conhecer melhor os clientes.
Nesse cenário, uma mudança importante começa a aparecer no processo de transformação digital das pequenas empresas.
A questão deixa gradualmente de ser apenas “meu negócio está na internet?” e passa a incluir outra pergunta:
“Como a tecnologia pode tornar meu negócio mais produtivo, competitivo e capaz de atender melhor o cliente?”
Os números apresentados pelo Sebrae indicam que uma parcela expressiva dos novos empreendedores brasileiros já identifica a Inteligência Artificial como parte dessa resposta.
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