Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com a Embrapa, desenvolveram um biodetergente capaz de aumentar a durabilidade de frutas e legumes, reduzindo perdas e ampliando o tempo de conservação dos alimentos.
A inovação cria um revestimento sem agrotóxicos que impede a ação e a proliferação de fungos, responsáveis por grande parte da deterioração pós-colheita. O projeto foi destacado em reportagem exibida no Jornal Nacional.
Segundo o pesquisador Otiniel Freitas, a iniciativa surgiu a partir de um edital voltado ao desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor agrícola. “Vimos uma oportunidade de criar um biopesticida para aplicação em pós-colheita, algo que ainda não existe no mercado”, afirmou.
A professora Denise Maria Guimarães Freire explica que o produto atua diretamente na estrutura dos fungos. “Ele promove uma desorganização na estrutura do fungo, impedindo sua proliferação e aumentando o tempo de prateleira dos alimentos”, destacou.
Em testes práticos, os resultados foram expressivos: de cada 12 laranjas infectadas, 11 permaneceram intactas, em média. O estudo teve início em 2009, a partir da análise de uma gota de petróleo em pesquisas realizadas para a Petrobras.
Agora, a equipe se prepara para uma nova fase de validação em escala industrial. De acordo com a professora Elisa Cavalcante, os testes serão ampliados para diferentes alimentos e métodos de aplicação. “Vamos avaliar a eficácia em frutas como morango, mamão e goiaba, além de grãos como feijão e soja, utilizando sistemas industriais”, explicou.
A tecnologia tem potencial para impactar significativamente a cadeia global de alimentos, que registra prejuízos bilionários devido ao desperdício. A expectativa dos pesquisadores é que, com investimentos públicos ou privados, o produto possa chegar ao mercado em até cinco anos.
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