Com US$ 961,34 milhões em vendas externas em 2025, região consolida protagonismo na fruticultura brasileira e busca novos mercados na Ásia, Canadá e Rússia.
O Nordeste vem consolidando sua posição como principal polo exportador de frutas do Brasil. Em 2025, a região movimentou US$ 961,34 milhões em vendas internacionais, o equivalente a 66% de todo o valor exportado pelo setor brasileiro de frutas.
O desempenho evidencia a importância da fruticultura para a economia regional e reforça a participação dos produtores nordestinos nas cadeias internacionais de abastecimento de alimentos.
Os resultados integraram a estratégia de promoção das frutas brasileiras na Fruit Attraction Madrid, feira internacional realizada entre os dias 6 e 8 de outubro, na Espanha, que reúne produtores, distribuidores, importadores e representantes do comércio mundial de frutas e hortaliças.
Exportações crescem 23,86% no primeiro semestre
Os dados mais recentes também apontam crescimento das vendas externas.
Entre janeiro e junho de 2026, as exportações nordestinas de frutas alcançaram US$ 400,88 milhões, avanço de 23,86% em valor, segundo os números divulgados pelo setor.
O resultado mostra que a expansão das exportações não se limita ao desempenho acumulado de 2025.
O crescimento é particularmente relevante para uma atividade que depende da combinação de produtividade agrícola, qualidade dos produtos, infraestrutura logística e capacidade de atender às exigências sanitárias e comerciais dos mercados compradores.
Além disso, a geração de receitas em moeda estrangeira amplia a importância econômica da atividade para municípios cuja produção está diretamente associada à fruticultura irrigada e às cadeias de embalagem, transporte e distribuição.
Nordeste se destaca na produção voltada ao exterior
O protagonismo nordestino no comércio internacional de frutas está relacionado, entre outros fatores, às condições climáticas de determinadas áreas produtoras e ao desenvolvimento de polos agrícolas especializados.
O Vale do São Francisco, especialmente na região de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, é um exemplo dessa especialização, com produção de frutas destinadas tanto ao mercado interno quanto à exportação.
A irrigação, a tecnologia agrícola e o conhecimento acumulado pelos produtores contribuem para a oferta de produtos com padrões exigidos pelo comércio internacional.
Mas a competitividade do setor depende também de fatores que vão além da produção no campo.
A conservação de frutas perecíveis, a disponibilidade de transporte refrigerado, a eficiência portuária e a regularidade das entregas são determinantes para alcançar compradores em mercados distantes.
Ásia, Canadá e Rússia estão entre os mercados estratégicos
Segundo Eduardo Brandão, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a estratégia do setor envolve ampliar o acesso a destinos como Ásia, Canadá e Rússia.
A diversificação geográfica é importante para reduzir a dependência de um número limitado de compradores e ampliar as oportunidades comerciais para produtores brasileiros.
O ingresso ou a expansão em novos mercados, entretanto, exige negociações sanitárias, adequação a requisitos específicos, construção de canais de distribuição e soluções logísticas compatíveis com a distância entre produtores e consumidores.
A participação em feiras internacionais, como a Fruit Attraction Madrid, integra esse processo ao aproximar empresas brasileiras de potenciais importadores e parceiros comerciais.
Fruticultura movimenta uma cadeia que vai além do campo
O crescimento das exportações de frutas possui efeitos econômicos que ultrapassam os limites das propriedades rurais.
A atividade demanda serviços de irrigação, insumos, embalagens, armazenagem, transporte, certificação, controle de qualidade e operações de comércio exterior.
Dessa forma, a expansão das vendas internacionais pode estimular diferentes segmentos da economia regional.
Para estados como Bahia e Pernambuco, onde a fruticultura exportadora possui presença importante, a abertura de novos mercados também representa uma oportunidade de ampliar investimentos e fortalecer cadeias produtivas já estabelecidas.
O impacto econômico, contudo, dependerá da capacidade de sustentar o crescimento com produtividade, eficiência logística e acesso competitivo aos compradores internacionais.
Desafio é transformar participação em expansão sustentável
Concentrar 66% do valor das exportações brasileiras de frutas coloca o Nordeste em uma posição estratégica.
O percentual demonstra a relevância regional dentro do setor, mas também aumenta a importância de políticas e investimentos capazes de sustentar sua competitividade.
A abertura de mercados é apenas uma das etapas.
Será necessário continuar avançando em infraestrutura, eficiência no uso da água, inovação agrícola, rastreabilidade e adaptação às exigências internacionais.
Há ainda uma dimensão importante: exportar mais não significa necessariamente capturar uma parcela maior do valor gerado até o consumidor final.
A capacidade de negociar contratos, construir marcas, diferenciar produtos e estabelecer relações comerciais duradouras pode ampliar os ganhos obtidos pelos produtores e pelas empresas exportadoras.
Nesse cenário, a presença na Fruit Attraction Madrid representa mais do que a exposição de frutas brasileiras em uma feira internacional.
Ela integra uma estratégia para transformar a força produtiva do Nordeste em maior presença comercial, diversificação de destinos e geração de valor para a economia regional.
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