Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) têm até 24 de outubro para inscrever projetos destinados à valorização e à transmissão dos conhecimentos de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes. A chamada pública prevê investimento total de R$ 5 milhões e é uma iniciativa conjunta dos ministérios da Educação (MEC) e da Cultura (MinC).
O edital integra o Programa Ciclos de Saberes e Conhecimentos Tradicionais, Populares e das Artes e procura aproximar três ambientes: ensino superior, escolas públicas e comunidades onde esses conhecimentos são produzidos e transmitidos.
A proposta parte do reconhecimento das mestras e dos mestres como detentores de conhecimentos relevantes para a preservação e a transmissão da diversidade cultural brasileira e também como agentes de formação.
Projetos terão de envolver mestres e escolas públicas
A participação é exclusiva para Instituições Federais de Ensino Superior, e cada instituição poderá apresentar apenas uma proposta.
Existe ainda uma condição importante: os projetos precisam estabelecer parceria com Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes. Essa participação poderá ocorrer individualmente ou por meio de associações, coletivos, Pontos de Cultura, Escolas Livres ou organizações que os representem.
As propostas também deverão contar com a participação de secretarias de Educação ou escolas públicas de educação básica.
A intenção é fazer com que os conhecimentos não permaneçam restritos ao ambiente acadêmico. As atividades deverão circular entre universidade, território e escola pública.
Oficinas, vivências e intercâmbios estão entre as atividades
Os projetos deverão desenvolver ações integradas em diferentes espaços.
Nas instituições de ensino superior poderão ser realizadas oficinas, vivências, rodas de conversa, seminários, apresentações culturais e pesquisas participativas, entre outras atividades formativas conduzidas com a participação dos mestres e da comunidade acadêmica.
Nos territórios das mestras e dos mestres estão previstas atividades como visitas orientadas, intercâmbios e imersões em comunidades, terreiros, associações culturais e outros espaços relacionados à produção e transmissão desses conhecimentos.
As escolas públicas também integrarão o circuito, podendo receber oficinas, residências, vivências, rodas de conversa e apresentações culturais.
A estrutura procura inverter uma dinâmica tradicional da produção acadêmica: não apenas levar a universidade às comunidades, mas também permitir que conhecimentos produzidos e transmitidos nos territórios ingressem formalmente nos espaços educacionais.
Projetos poderão receber até R$ 500 mil
O edital possui orçamento total de R$ 5 milhões, dividido em duas categorias.
Na Categoria A, destinada a projetos de maior porte e articulação regional, cada proposta poderá receber até R$ 500 mil. Poderão ser selecionados até sete projetos. Cada iniciativa deverá envolver pelo menos dez mestres, atuar em no mínimo três municípios e alcançar pelo menos cinco escolas públicas.
Na Categoria B, voltada a projetos de atuação mais local, o apoio poderá chegar a R$ 250 mil por proposta, com seleção de até seis iniciativas. Nesse caso, será necessária a participação de pelo menos cinco mestres, atuação em ao menos um município e realização de atividades em três ou mais escolas públicas.
Os projetos selecionados terão prazo de execução de até 12 meses.
Pelo menos 40% dos recursos serão destinados aos mestres
Um dos pontos mais relevantes do edital está na distribuição dos recursos.
No mínimo 40% do valor total de cada projeto deverá ser destinado ao pagamento das Mestras e Mestres participantes.
A regra acrescenta uma dimensão econômica ao reconhecimento cultural.
Em vez de incorporar os conhecimentos tradicionais às atividades acadêmicas apenas como colaboração simbólica ou participação voluntária, o edital estabelece remuneração mínima para os detentores desses saberes.
O modelo também procura estimular uma relação mais horizontal entre conhecimento acadêmico e conhecimento tradicional, reconhecendo as mestras e os mestres como participantes do processo formativo.
Seleção terá critério regional
As propostas serão analisadas por um comitê técnico de avaliação e seleção.
O edital prevê ainda uma medida destinada à descentralização dos recursos: haverá pelo menos uma vaga para o projeto mais bem classificado de cada uma das cinco regiões brasileiras — Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul —, desde que a proposta alcance a pontuação mínima exigida.
A medida procura evitar uma concentração dos projetos em determinadas regiões e ampliar a representação da diversidade cultural brasileira.
Universidade também como espaço para conhecimentos tradicionais
A iniciativa se insere em um debate mais amplo sobre a relação entre educação formal e conhecimentos construídos fora dos espaços acadêmicos.
Tradições orais, práticas artísticas, manifestações religiosas, técnicas artesanais, conhecimentos ambientais, modos de produção e diferentes expressões culturais frequentemente são transmitidos entre gerações sem passar pelos sistemas tradicionais de certificação acadêmica.
Ao colocar mestres e mestras dentro de atividades de ensino, pesquisa e extensão, o programa procura reconhecer que a produção de conhecimento não acontece exclusivamente nas universidades.
A proposta também cria um movimento de mão dupla: os saberes tradicionais chegam às instituições de ensino e estudantes e pesquisadores se deslocam até os territórios onde esses conhecimentos são produzidos e preservados.
As inscrições permanecem abertas até as 23h59 de 24 de outubro de 2026.
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