A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com as novas tarifas comerciais propostas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que podem ampliar significativamente a parcela das exportações brasileiras sujeitas a sobretaxas no mercado norte-americano.
Segundo levantamento da entidade, caso as medidas sejam aprovadas, 31,6% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passarão a pagar uma tarifa de 37,5%, ante os atuais 10%. Outros 3,6% dos embarques teriam a tributação elevada de 10% para 12,5%.
Somadas às tarifas já aplicadas por meio da chamada Seção 232 da legislação norte-americana, as novas medidas fariam com que 54,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estivessem sujeitas a algum tipo de taxação adicional.
Entre os produtos mais impactados estão ferro gusa, açúcar de cana, sebo bovino, álcool etílico e molduras de madeira, segmentos que possuem participação relevante na pauta exportadora brasileira para o mercado americano.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção das novas tarifas poderá aumentar custos, reduzir a competitividade das empresas brasileiras e gerar insegurança para investidores e exportadores.
“A elevação das tarifas cria obstáculos para o comércio internacional e aumenta a incerteza para empresas que dependem das exportações para manter investimentos, empregos e crescimento econômico”, defendeu o dirigente.
O tema será debatido em audiências públicas promovidas pelo USTR nos dias 6 e 7 de julho. A expectativa é que governos, entidades empresariais e representantes do setor produtivo apresentem argumentos sobre os possíveis impactos das medidas para o comércio internacional.
A CNI defende a continuidade do diálogo entre Brasil e Estados Unidos como forma de preservar as relações comerciais entre os dois países e evitar prejuízos para setores estratégicos da indústria e do agronegócio.
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