Pedido foi apresentado menos de dois meses após a mudança de controle da rede de brinquedos. Empresa afirma que lojas físicas e canais digitais continuam funcionando normalmente.
A rede de lojas de brinquedos Ri Happy entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam R$ 827,4 milhões. O processo foi protocolado no domingo (18), menos de dois meses após a transferência do controle da companhia para a gestora BluSun Capital Partners.
O pedido envolve seis empresas do grupo: Ri Happy, Brincar Marcas e Participações, Drh Casa de Festa, New Toys Comércio, Distribuição e Importação, Partout Administração de Franquias e Bens e Pbkids Brinquedos.
Apesar da iniciativa de reestruturação financeira, a companhia informou que suas lojas físicas e operações digitais continuam funcionando normalmente. A rede também mantém o planejamento comercial voltado à Black Friday e ao Natal, períodos considerados estratégicos para o varejo de brinquedos.
Mudança de controle e retorno de executivo
A recuperação extrajudicial acontece pouco tempo depois da aquisição de 100% da Ri Happy pela BluSun Capital Partners, em uma transação cujo valor não foi divulgado.
Antes da operação, a varejista estava sob controle dos fundos Carlyle e SPX Capital havia aproximadamente 14 anos.
Com a mudança, Héctor Nuñez retornou ao cargo de diretor-presidente da companhia. O executivo já havia comandado a Ri Happy entre 2012 e 2020.
A nova administração iniciou um processo de revisão operacional, com foco no controle de despesas, na reorganização de processos internos e na recuperação da capacidade financeira do grupo.
Juros elevados e concorrência pressionam o setor
Segundo a Ri Happy, a necessidade de renegociar os compromissos financeiros está relacionada a uma combinação de fatores econômicos e mudanças no mercado consumidor.
Entre os principais desafios apontados pela empresa estão os juros elevados, o aumento da concorrência, as transformações nos hábitos de consumo e os efeitos acumulados da pandemia sobre o varejo.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas negociar um plano de reestruturação de determinadas dívidas diretamente com seus credores, com possibilidade de homologação judicial.
Diferentemente da recuperação judicial, o procedimento é estruturado a partir de negociações com os credores abrangidos pelo plano e não implica, por si só, a paralisação das atividades da empresa.
Até o momento, a Ri Happy não detalhou publicamente a composição dos R$ 827,4 milhões em débitos nem as condições de pagamento propostas.
Empresa já havia renegociado dívidas em 2023
A atual tentativa de reestruturação não é a primeira iniciativa da Ri Happy para reorganizar suas finanças.
Em 2023, a companhia contratou a Starboard Partners para negociar aproximadamente R$ 289 milhões em dívidas com nove instituições financeiras.
Na ocasião, os vencimentos foram prorrogados por até cinco anos, enquanto o fundo Carlyle realizou um aporte de R$ 75 milhões para reforçar a estrutura financeira da empresa.
A nova negociação ocorre em um contexto de dificuldades persistentes no setor varejista, especialmente entre empresas com elevada necessidade de capital de giro e exposição ao custo do crédito.
Rede possui cerca de 290 lojas
A Ri Happy reúne aproximadamente 290 lojas e registra faturamento anual estimado em R$ 1,2 bilhão.
Mesmo diante do pedido de recuperação extrajudicial, a companhia afirma que mantém suas atividades comerciais e está concentrada na preparação para as vendas de fim de ano.
O setor de brinquedos também registrou recentemente outro processo de reestruturação. Em maio de 2026, a fabricante Estrela apresentou pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas estimadas em R$ 109 milhões.
Os dois casos evidenciam as dificuldades enfrentadas por empresas tradicionais do segmento, em um ambiente de mudanças no consumo, maior concorrência e custos financeiros elevados.
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