Disponível inicialmente em hospital de Porto Alegre, teste analisa proteína associada à doença e pode reduzir a necessidade de procedimentos invasivos durante a investigação diagnóstica.
Um novo exame de sangue capaz de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil nesta quinta-feira (15). Inicialmente, o teste está disponível apenas no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e representa um avanço nas possibilidades de investigação diagnóstica da doença.
A tecnologia permite identificar, por meio de uma coleta de sangue, sinais relacionados ao acúmulo de proteínas características do Alzheimer no cérebro. Em determinados casos, o procedimento poderá reduzir a necessidade de exames mais invasivos, como a punção lombar, utilizada para análise do líquido cefalorraquidiano.
O exame está sendo oferecido inicialmente na rede privada, com custo estimado em R$ 3 mil. Existe a perspectiva de ampliar o acesso à tecnologia por meio de parcerias com operadoras de planos de saúde e com o Sistema Único de Saúde (SUS), ainda em 2026.
Como funciona o novo exame
O teste mede a concentração da proteína p-tau217 no sangue, uma forma modificada da proteína tau, encontrada nas células nervosas.
A presença elevada desse biomarcador está associada ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer.
A análise pode ajudar os médicos a identificar se os sintomas apresentados pelo paciente estão associados a processos característicos da doença, contribuindo para uma investigação mais precisa.
Até então, a confirmação dessas alterações biológicas dependia principalmente de exames de imagem especializados ou da análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por punção lombar.
Resultado positivo não confirma, sozinho, a doença
Apesar do avanço tecnológico, especialistas ressaltam que um resultado positivo no exame de sangue não é suficiente, isoladamente, para diagnosticar demência causada pelo Alzheimer.
O teste identifica sinais biológicos associados à doença, que precisam ser interpretados em conjunto com os sintomas, o histórico clínico e a avaliação médica.
Os resultados podem ser classificados como positivos, negativos ou inconclusivos.
Estima-se que entre 15% e 20% dos pacientes apresentem resultados inconclusivos. Nessas situações, o médico poderá solicitar exames complementares ou recomendar a repetição do teste após aproximadamente 12 meses.
Exame é destinado a pacientes com sintomas
O novo teste não foi desenvolvido para rastreamento indiscriminado de pessoas sem sintomas.
Sua indicação é voltada à investigação clínica de pacientes que já apresentam alterações cognitivas, como dificuldades persistentes de memória e outros sinais que possam levantar suspeita de Alzheimer.
A solicitação deve ser realizada pelo médico responsável pelo acompanhamento do paciente.
Perspectiva de ampliação do acesso
A oferta inicial no Hospital Moinhos de Vento representa uma primeira etapa da introdução da tecnologia no Brasil.
Há planejamento para viabilizar sua integração à saúde suplementar e ao SUS por meio de parcerias relacionadas ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).
A ampliação do acesso, entretanto, dependerá de avaliações técnicas, acordos institucionais e das etapas necessárias à incorporação do exame.
A expectativa é que a tecnologia contribua para tornar a investigação do Alzheimer menos invasiva e mais acessível, favorecendo a identificação das alterações biológicas relacionadas à doença.
Com informações do Correio Braziliense.
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