sábado, julho 20, 2024
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A história de sucesso da Fazenda Franciosi

Por Joana Lopo

Potência nacional em soja, algodão, milho e feijão, a Franciosi –  considerada pela revista Forbes, em 2019, como uma das 100 maiores empresas do agronegócio no Brasil –  nasceu e cresceu em terras baianas. Com atividade iniciada em 1986 por uma família sulista, que se instalou na região de Luís Eduardo Magalhães, seu tamanho saltou de 300 hectares para aproximadamente 1.000 hectares, área em que foram produzidas mais de três milhões de sacas de soja na safra 21/22.

A empresa conta com as  fazendas  Três Irmãos, Vereda Tropical, Fazenda Santo Antônio, Fazenda Santana, Fazenda São José e Fazenda Confiança. Delas saem a produção que abastece tanto o mercado interno quanto o externo. De acordo com a gestora e herdeira Ana Paula Franciosi, a soja é exportada para o mercado chinês e o algodão vai para a China, Vietnã, Paquistão e Bangladesh (Sudeste asiático).

De acordo com Ana Paula, a escolha pela Bahia se deu em função dos baixos preços das terras à época (Foto: Calan Sanderson)

Internamente, a soja é vendida para a multinacional Cargill. “Temos tanto o mercado interno quanto externo. Isso depende muito do trading e de corretores, mas a maioria vai para o exterior. Já expandimos o agronegócio na região do Matopiba — formada por Tocantins e partes de Maranhão, Piauí e Bahia -, que é uma força agrícola, especialmente para a produção de algodão e soja”, conta Ana Paula.

Mas os negócios da família não pararam no campo. Visionário, o fundador da empresa João Antônio Franciosi também criou a Franciosi Agro, que é um escritório da fazendas e a Maxum Case IH, uma concessionária de máquinas agrícolas, com filiais em Roda Velha (Bahia), Bom Jesus (Piauí) e Formosa do Rio Preto (Bahia).

Mesmo com um mercado inteiro para ser explorado, Ana Paula aponta alguns gargalos do setor, como a questão energética. “A gente sofre muito, principalmente com a produção do algodão, que é processado nas usinas. Dali sai pronto, praticamente embalado para ir para o porto. Com a falta de energia as máquina ficam muitas horas paradas. Também tem o sinal de internet que cai bastante e o escoamento. A gente aqui está em uma situação bem complicada em relação a isso. Por exemplo, o milho é uma cultura que muitos produtores gostariam de trabalhar por seu valor e rentabilidade, mas hoje não vale a pena por conta do transporte para escoar. A gente divide o transporte com o Mato Grosso, então às vezes acaba atrasando alguma coisa, os caminhões demoram para chegar em Luís Eduardo. Então a gente tá ainda muito na mão. Mas com a ferrovia [Ferrovia de Integração Oeste Leste], teremos como resolver isto e trazer produtos, insumos e escoar nossa produção”, destaca Ana, que faz a contrapartida aos entraves: “A Bahia tem mais qualidade do que pontos negativos, são muitas coisas boas. Para o agro, uma das características mais importantes são os períodos bem definidos de chuvas”.

Responsabilidade social e ambiental

Nas fazendas trabalham cerca de mil pessoas, mas o número varia de acordo com a época. Segundo Ana a mão de obra local é priorizada, sendo que ainda tem trabalhador que está com eles desde os anos oitenta.

Já em relação ao meio ambiente, a gestora conta que em Mato Grosso, por exemplo, quem compra terra tem que preservar 35% da área deles. Então não podem mexer. Já na Bahia esse percentual é de 20%. “Acho muito positivo, mas de qualquer forma a gente mantém nossas matas originais. Aqui tem ainda muitos animais selvagens. Protegemos as margens dos rios. Nossos rios aqui são completamente limpos, são transparentes, a gente toma água deles até hoje. Enfim, a nossa vegetação é realmente muito bonita e chama atenção de muita gente”.

Irrigação

Ana conta que em 2017 uma enorme crise se abateu na região por causa da seca. Com isso, precisaram focar no projeto de irrigação. “A seca foi muito forte aqui na região e acabou com muita gente. Nós também sofremos bastante. Não choveu e a gente não colheu nada, então todo o investimento foi perdido. A partir disso entendemos que não poderíamos mais correr esse tipo de risco e investimos em irrigação nas fazendas”, diz ela.  “Temos hoje duas fazendas 100% irrigadas: a Fazenda Santana, que é maior área irrigada da América Latina e a Fazenda São José. Estamos finalizando todo o projeto da Fazenda Santa Isabel, mas uma grande parte dela já está irrigada. Também iniciamos a obra de irrigação lá da nossa fazenda no Piauí e já pretendemos iniciar a irrigação da Fazenda Santo Antônio, aqui na Bahia. Então isso é crescer verticalmente. A gente consegue produzir mais com a mesma quantidade diária. Foi uma virada de chave para a gente”.

O início

De acordo com Ana Paula, a escolha pela Bahia se deu em função dos baixos preços das terras à época. Seus pais chegaram primeiro, pois no Rio Grande do Sul não tinha muito mais pra onde expandir, crescer. “Lá as propriedades são bem menores e muita coisa já tinha sido feita. O meu avô tinha uma madeireira e meu pai não queria muito trabalhar com isso. Meus tios tinham ido para o Mato Grosso, que estava em alta no agronegócio, aí meu pai teve essa ideia de também adquirir alguma terra e começar a trabalhar com agricultura. A ideia inicial não era vir pra Bahia, era de ir para o Mato Grosso, mas as terras eram caras e isso fez com que ele viesse e foi que enfim tudo deu certo”.

Mas nem tudo eram flores. Ana conta que na época a terra não era produtiva, pois era bastante arenosa. “Nossa fazenda tinha um baita areião branco, sem matéria orgânica. E terra boa para plantar são aquelas mais escuras, mais argilosa, mais avermelhada. Precisou muita correção do solo. Meus pais precisaram aprender a lidar com isso e tornar a terra produtiva. Meu pai conta que foi comprando as terras primeiro. Ele diz que o valor do hectare aqui era o valor do almoço, então muitas vezes deixava de almoçar pra conseguir comprar mais terras. Esse foi o esquema no começo. Foram comprando terras até pegarem a manha de como corrigir o solo e tudo mais. Estavam apanhando pra caramba”, revela.

Antes da bonança, Ana conta que seu pai precisou vencer a tempestade do aperto financeiro e deu continuidade ao trabalho que já fazia, de compra e venda de trator. “Ele sempre foi muito bom com esse tipo de negociação. Ele conhece muito sobre maquinário. Então isso fez com que eles conseguissem avançar aos poucos para se manter aqui. Ele comprava máquina, alugava a hora trabalhada e ele mesmo às vezes ia trabalhar nela pra outro produtor, até conseguir vencer todos os obstáculos e chegar onde chegou”, finaliza.

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