quarta-feira, fevereiro 1, 2023
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Mercado de medicina diagnóstica: o que esperar do setor nos próximos anos

Por Joana Lopo

O mercado de inteligência artificial para área de medicina diagnóstica vai movimentar cerca de US$150 bilhões até 2025 e as fusões e aquisições devem ser retomadas com mais força, conforme dados apresentados pelo VP da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Leandro Figueira, que mediou o Warm Up Filis, nesta terça-feira (14). O evento online, que foi acompanhado pela equipe do INEWSBR, é uma prévia da 5ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (Filis), que acontece nos dias 13 e 14 de outubro, de forma online e gratuita.

De acordo com Figueira, esse crescimento em tecnologia é expressivo e reflete nos bons números do setor.  Os laboratórios químicos, por exemplo, cresceram 60% em número de atendimentos, na última década. Já para os laboratórios de anatomia patológica houve retração de 8%. Os serviços de imagem cresceram em 96% e ainda têm possibilidade de franca expansão. “Em geral, o ritmo maior está no Sudeste, mas de 2011 até 2021 todas as áreas cresceram. O mercado precisa de mais pontos de atendimento, temos muito espaço para isso. Por isso que se percebe a consolidação do setor a partir das fusões, aquisições e do processo de verticalização”, observa.

Dados da Abramed indicam que em relação a estrutura familiar (considerando emprego, renda e concentração de capital), mais de 70% dos prestadores de serviços vinculados à medicina diagnóstica têm até oito empregados, sem contar os grandes conglomerados. “Menos de 1% dos laboratórios do país têm mais de 100 colaboradores, isso reflete um mercado bastante pulverizado e descentralizado, com muito capacidade de crescimento”, analisa Figueira.

O evento reuniu também nomes da área como o CEO da HCor, Fernando Torelly, a CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, e o vice-presidente do Grupo Notredame Intermédica e presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), João Alceu Amoroso Lima, que debateram sobre as tendências para fusões e aquisições.

Figueira observa que o recente levantamento publicado pela KPMG, apesar de ter apontado um número 37% a menos de fusões e aquisições em 2020 quando comparado a 2019, refletiu o segundo maior ano, desde o início da série histórica. “Alguns estudos afirmam que esses dados recuaram por causa da pandemia, mas que voltou a crescer com força”.

Nesse sentido, a CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, disse que o movimento de compras chegou com bastante intensidade nos últimos anos, mas que especificamente pela pandemia houve redução, principalmente no setor de saúde. “No primeiro momento as organizações se preocuparam em ter uma posição mais consolidada de caixa e seguraram os projetos. Mas no segundo semestre do ano passado houve uma retomada e as fusões voltaram a acontecer. Já estamos retomando os serviços e aquisições. Apesar de todo cenário macroeconômico extremamente desafiador, existe uma liquidez no mercado de capitais brasileiro, e temos oportunidade de capital estrangeiro sendo aportado para esses movimentos”.

Segundo ela, a retomada só não está na mesma velocidade dos países em que a vacinação está mais avançada. Mesmo com esse cenário, a CEO conta que o Grupo Fleury fez 12 aquisições nos últimos cinco anos e planeja mais, inclusive em outros nichos de mercado.

Ao relembrar do ano de 2014, o CEO da HCor, Fernando Torelly, disse que a previsão era chegar em 2020-2021 com mais de 60 milhões de brasileiros com plano de saúde, o que não ocorreu. “Tínhamos (em 2014) um desemprego em torno de 7% e 50 milhões de brasileiros com plano de saúde, o que significava um aumento significante das pessoas com plano de saúde, além de um mercado em expansão mais impactante do que vivemos hoje”.

Segundo ele, a pandemia causou um impacto forte também. “Nos hospitais perdemos um mês de receita, ou seja, impactou no caixa, no faturamento. Hoje só temos 48 milhões de brasileiros com planos de saúde, então não crescemos em relação a 2014 e o desemprego está batendo quase os 15%, o que significa que temos um desafio macroeconômico até 2022, ano eleitoral. Isso gerou uma necessidade de maior eficiência do segmento”.

Torelly acredita que o movimento de fusões de aquisições continua em alta, mas diz que é preciso construir novos modelos de negócios, que precisam continuar acontecendo para dar eficiência econômica ao setor, com mais aporte de capital internacional. Para ele, a consolidação é estratégia natural do setor de saúde, que tem alta competição.

“O desafio é transformar escala em eficiência. Acho que até 2022 a indústria será bem diferente de antes da pandemia. Com a redução da Covid-19 viveremos um novo conceito de saúde, a população vai entender que precisa cuidar da saúde de forma diferente de antes da pandemia. Nossos hospitais hoje estão lotados e as pessoas mais preocupadas com a saúde”, afirma.

IPOs

Já para o vice-presidente do Grupo NotreDame Intermédica e presidente da FenaSaúde, João Alceu Amoroso Lima João, quando se pensa nos movimentos empresarias se pensa logo em compras, mas além disso tem os IPOs, que bateram recorde na B3 do segundo semestre de 2020 até o 1S21. “Tivemos a Dasa, a Rede D’Or, muitas empresas abrindo capital. Do final de 2020 até agora foi um movimento intenso, operadoras comprando operadoras, hospitais comprando hospitais, mas também a expansão inorgânica”.

De acordo com ele, a NotreDame Intermédica fez, em 2020, 19 aquisições, sendo 15 conclusas no mesmo ano e as quatro restantes ficaram para este ano. “E tudo isso com capital próprio. O ano de 2020 foi o recorde do recorde. Mas 2021 também tem sido muito interessante e 2022 parece que continua. Outro caminho positivo é do setor de inovações, incubadoras, que também estão muito em alta. As ideias são muito interessantes”.

Na ocasião, Amoroso Lima citou uma nova fusão do Grupo NotreDame Intermédica, que está em pleno curso, sem dar detalhes, já que o negócio não foi consumado. “Não posso falar, só informo que estamos na última etapa e falta autorização do Cade, mas quando acontecer será a maior da história”, garante.

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