segunda-feira, janeiro 30, 2023
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Na contramão da crise, Assaí Atacadista prevê abertura de 28 novas lojas até o final do ano

Por Joana Lopo

Depois de crescer organicamente em mais de 20% na receita bruta, no primeiro semestre deste ano, a Assaí Atacadista bate novo recorde de expansão, com a abertura de três lojas nos dois primeiros trimestres de 2021 e mais 25 em construção. A intenção é chegar até o final do ano com a abertura de cerca de 28 unidades. Na contramão da crise causada pela pandemia, e sendo de certa forma beneficiada pela alta da inflação, a atacadista faturou aproximadamente R$ 40 bilhões no ano passado e prevê passar dos R$ 47 bilhões este ano.

Em uma das lives do Expert Talks, realizada pela XP, nesta quarta-feira (18), e acompanhada pela equipe INEWSBR, O CEO do Assaí, Belmiro Gomes, falou sobre o excelente desempenho da atacadista e estima fechar o segundo semestre mantendo o crescimento orgânico na casa dos 20%. Em relação as vendas, o crescimento foi de 6% no semestre passado e seu lucro líquido teve alta superior a 40% comparando com o mesmo período de 2020.

Segundo Gomes, a história da Assaí é de pleno crescimento. Era empresa pequena quando foi adquirida pelo Grupo Pão de Açúcar. “Na época tinha 14 lojas e faturamento de R$ 1,4 bilhão. Nos últimos 10 anos transformamos a empresa e o próprio setor. Hoje tem formato de atacarejo e é o canal de abastecimento do pequeno e médio comerciante, além da família brasileira. Mesmo com a pandemia e alta da inflação estamos crescendo. Isso porque o ambiente de inflação, embora não seja benéfico para o país é para o atacado. Tem um efeito positivo. Isso acontece porque, com a elevação de preço, a população começa a buscar mais o atacado”, explica Gomes.

Durante a live, Gomes explicou que o formato de atacarejo não é criação brasileira, mas europeia. “Nasceu na Europa mais voltado para o micro e pequeno empreendedor, depois foi para os EUA e cresceu muito lá. Mas as principais diferenças é que as lojas são minicentros de distribuição e nós aqui temos lojas enormes, completas, em diversos setores”, compara. As lojas da Assaí atendem desde o consumidor final até restaurante, pousadas, hotéis, creche, escola etc. Comercializam alimentos, embalagens, entre outros produtos.

Foi fundada em 1974, em São Paulo e só em 2008 deu início ao processo de expansão. Hoje está em 23 estados e no Distrito Federal. “Então a expansão geográfica foi muito forte e tem muita capilaridade. Temos lojas no interior do Piauí e Bahia. Nosso modelo pode operar dentro do centro urbano e também pode ser adaptado aos interiores. Buscamos sempre regionalizar, embora sejamos nacionais. Nossa estratégia é posicionar a marca na maior parte do território nacional e, com isso, ganhar força da marca e também colocar em prática nosso plano complementar de expansão. Esse ano teremos recorde em abertura de lojas, mesmo com as dificuldades de falta de material de construção. Vamos ultrapassar a marca de 25 a 28 lojas orgânicas e temos projeto para pelo menos mais 75 novas lojas nos próximos três anos, prevê Gomes.

Autogeradora de caixa, a Assaí também avança no processo de expansão digital e, internamente já automatizou seus processos e quase não usa mais papel, segundo o CEO. Também apostam no ecommerce de alimentos, por exemplo. “Estamos posicionados para as demandas do mercado. Nosso foco é entregar as lojas orgânicas esse ano. Teremos muitas inaugurações nos próximos trimestres, começando semana que vem em Manaus, depois Rio de Janeiro e, em setembro, mais quatro lojas”, conta.

Para Gomes, o cenário ainda é desafiador devido a permanência das medidas de restrições, Dentro das lojas da Assaí, por exemplo, é preciso manter uma quantidade menor de pessoas, considerando que a pandemia ainda está afligindo o mercado e os consumidores. “Mas acreditamos que se mantida a vacinação, em setembro e outubro devemos retomar de forma muito mais forte. Começou a aumentar as compras das cantinas escolares, lanchonetes e pousadas. Infelizmente, a inflação deve continuar acima do previsto e os produtos de higiene e limpeza doméstica ainda serão muito impactados. Além dos alimentos, que têm outras variáveis como a climática, mas vamos superar”.

Em relação aos players nacionais e regionais, Gomes diz que a competitividade existe e é importante para o setor. Como estão descentralizados, ele vê benefícios para sair à frente no mercado. Para isso, já anuncia que no mês de setembro, quando a empresa comemora mais um ano, começarão a campanha de aniversário e vão oferecer preços competitivos. Sobre fusões e aquisições, o CEO disse que o foco principal é o crescimento orgânico, mas não descarta qualquer aquisição. “Se for de interesse do Assaí, faremos sim. Por enquanto estamos crescendo muito bem de forma orgânica”.

Responsabilidade socioambiental

De acordo com Gomes, em todas as lojas utilizam energia limpa, usam gases menos poluentes em sistema de refrigeração e uma série de iniciativas de reciclagem e reaproveitamento de água e materiais. “Também somos cobrados pela sua responsabilidade socioambiental. No nosso quadro de funcionários temos 67% que se declaram negros ou pardos. Na diretoria temos 25% da presença de mulheres nos cargos de liderança. Sei que ainda é baixo, mas há 10 anos era 1%. Isso é um desafio, mas estamos no caminho certo”, conta.

A empresa oferta cursos regulares sobre diversidade. Tratam de assuntos como gênero, sexualidade, meio ambiente. Segundo o gestor, 5,3% dos colaborados são de Pessoas com deficiência (PcD). Atualmente a companhia realiza 18 milhões em operações de vendas. Recebem de 38 a 40 milhões de pessoas por mês e 450 milhões de pessoas por ano.

Valor das ações

A Assaí abriu capital em março deste ano, após cisão com o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Como não foi uma IPO, mas uma listagem, não houve precificação dos papéis, só que na época fecharam em alta de 385% e venderam o papel a R$ 71,4 (definido com base no capital social da empresa). Por causa disso, conforme disse Gomes durante a live, a dinâmica do papel da empresa mudou. Chegou a ficar acima de R$ 100. Segundo ele, esse desdobramento do papel de um para cinco, não deve afligir o mercado.

“Mudou de patamar, mas não caiu. Quem tinha uma ação antes, hoje tem cinco. Isso pode ter assustado, mas a motivação foi até por recomendação da própria B3, para integrar a maior quantidade de pessoas possível. E nós éramos nominalmente a terceira ação de maior valor nominal de unidade isolada da B3. Precisamos fazer esse desdobramento para ficar numa taxa de valor negociável médio dentro do valor da bolsa”, explica.

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